Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
9
23 de Dezembro de 2003 às 00:00
Alvalade, minuto 74. Zero a zero. O Sporting já tinha entrado naquela fase de nervoso miudinho (“mais coração que cabeça”) que a expressão de Fernando Santos traduz como ninguém. O Leiria, sete minutos antes, marcara um golo tão limpo e evidente como o penálti de mão cheia cometido por João Paulo no final da primeira parte – dois lances capitais escandalosamente ignorados pelo árbitro Paulo Baptista. Lourenço acaba de entrar e a bola vai parar aos pés de Barbosa, Pedro Barbosa. O cruzamento, com o pé esquerdo, sai largo, tenso, em curva pronunciada. Um cruzamento cheio de estilo. Lourenço mergulha e castiga Helton com uma ‘cabeçada’ certeira. Golo do Sporting. Alvalade explode de alegria – e alívio – e Pedro Barbosa, com cara ‘de Figo’ (tenso, preocupado) é saudado. Foi ele, mais uma vez, a inventar a solução do problema. Seis minutos depois, Pedro converte um penálti (duvidoso) com um remate irrepreensível e o Sporting assegura mais três pontos. Desta vez Barbosa, o perfeccionista, ri e comemora com o público que o ama e aplaude, odeia e assobia há oito longos anos.
Pedro Barbosa é um futebolista raro. O último romântico, um talento fantástico dotado de um sentido estético que seria único se não houvesse um tipo chamado Zidane. As más-línguas dirão que esta série de grandes exibições tem a ver com o facto de estar em “final de contrato, olha não”. Os optimistas dirão que com Pedro a jogar assim o Sporting ainda vai lá. Os realistas dirão que Pedro Barbosa talvez esteja a atravessar a melhor fase da sua carreira, não importando de perceber as razões. Realmente, não importa. Mas apetece perguntar ao divino Pedro: porquê agora? porquê desta maneira?... e, pela enésima vez: ó Pedro, porque é que não foste sempre assim?
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)