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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Julho de 2004 às 00:00
Bernardo era uma criança antes do atropelamento e continuará a ser uma criança até ao fim dos seus dias, pois ficou inválido. Perdeu tudo a que uma criança tem direito. A mãe também perdeu. Perdeu a hipótese de ver o filho tornado homem. Tal como o irmão também perdeu. Perdeu a escola de onde foi obrigado a desistir aos 15 anos, para ajudar nas despesas dos tratamentos. Todos perderam.
Só o condutor não perdeu. Nem o sono, nem o sagrado prémio do seguro, nem a vergonha de ter mandado logo arranjar o carro. Só a seguradora não perdeu nem um cêntimo num selo para responder aos advogados. Só as autoridades não perderam tempo a pintar uma passadeira. Por cá, os atropeladores não precisam de fugir, basta não terem vergonha na cara, ou filhos.
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