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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Perigo no crédito

Em pouco mais de dez anos Portugal assistiu a uma impressionante mudança na relação com o dinheiro. A baixa de juros provocada pela adesão ao Euro abriu uma corrida histórica ao crédito, que passou a ser o grande motor da economia. Rapidamente os portugueses passaram do grupo dos mais poupados para o dos mais endividados. Na Zona Euro, apenas os holandeses têm um nível de endividamento superior. Graças ao crédito, milhares de famílias têm um conforto material impossível de obter sem ajuda bancária.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 20 de Maio de 2009 às 00:30

Desde a casa, ao carro, aos móveis, às viagens, o crédito tornou-se num instrumento fundamental para melhorar o nível de vida. O problema surge quando as pessoas não têm dinheiro para honrar os compromissos, como aconteceu no caso do subprime americano. O Banco de Portugal teme um aumento do crédito malparado. Por paradoxal que pareça, a principal ameaça do crédito até nem será a curto prazo. Para muitas famílias as dificuldades serão mais notórias quando a crise terminar na Europa. Nessa altura os juros irão subir dos actuais mínimos históricos. Não será estranho que as taxas dupliquem em pouco tempo e que as famílias que dependem de salários, que não aumentarão na mesma proporção, não consigam vislumbrar sinais de retoma e tenham ainda mais dificuldades.

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