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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Dâmaso

PGR sob escuta

Há coisas que se dizem sem o intuito de lhes dar grande importância, e elas acabam por adquirir proporções que nem sempre controlamos. São palavras que não valem nem mais nem menos do que aquilo que é a circunstância e o tom com que são ditas.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 21 de Outubro de 2007 às 00:00
O procurador-geral da República devia ter este estado de espírito quando disse na entrevista ao ‘Sol’ que suspeita ter o telefone sob escuta. O problema é que o procurador-geral não pode fazer afirmações destas numa entrevista, por muito distendido que fosse o ambiente. Se um procurador-geral da República acha que tem o telefone sob escuta tem de pedir imediatamente uma despistagem ao aparelho ou abrir um inquérito.
Em Portugal, só se podem fazer escutas judiciais, ou seja, pedidas pelo Ministério Público, autorizadas por um juiz de instrução e feitas pela PJ. Se não estamos a falar destas, sugere-se que possam ser os serviços de informações a fazer o que deixa tanto o ministro da Administração Interna como o da Defesa numa situação delicada.
No caso de o procurador-geral não estar a falar nem de uma coisa nem de outra, então, tem mesmo de abrir um inquérito, porque pode estar a ser escutado por uma organização criminosa. É caso para perguntar: onde está a escuta!? onde está o direito!? Se o procurador-geral não nos consegue tranquilizar em relação ao seu telemóvel, como poderemos nós, vulgares cidadãos, tranquilizar com o nosso!?
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