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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Agosto de 2009 às 00:30

2.Morreu Dan Hewitt, criador do ‘60 Minutes’, que o ‘NY Times’ descreve como "uma lenda que mudou a TV". Em mais de 60 anos de carreira, Hewitt dirigiu programas históricos, como o primeiro debate na TV entre candidatos à Presidência dos EUA, em 1960, quando John F. Kennedy esgrimiu com Richard Nixon. Na ocasião, os candidatos recusaram maquilhagem. O efeito foi o contraste entre um bronzeado Kennedy e um macilento e suado Nixon. As imagens do confronto foram consideradas cruciais na eleição vencida por Kennedy.

3.Jorge Valdano, avançado campeão mundial pela Argentina em 1986, ex-treinador, dirigente do Real Madrid, deu uma bela entrevista à TVE – mesmo para quem acha a bola um saco. Para já, ele escreve tão bem que por vezes apetece-me devolver a minha pena ao ganso. E fala como um tribuno, mas sem palha. Revelou que é autodidacta, pois foi só até ao primeiro ano de Direito. Além da sua experiência no futebol, Valdano disse que aprendeu muito com os livros (macacos me mordam!) e com os seus mestres no desporto e na vida. Teve a sabedoria de ouvir e de olhar. Ah, andam para aí tantos autistas armados em artistas, nos relvados e noutros campos! É preciso menos ‘postura’ e mais compostura. Valdano contou que o golo de Maradona no Mundial do México, considerado o mais sublime de sempre, foi um mal-entendido. Depois do jogo, Maradona confidenciou-lhe que tentou o tempo todo passar a bola a um colega e sempre surgia um inglês à sua frente.

Que remédio: tinha de fintá-los, um a um, até tourear o guarda-redes e enfunar as redes. Os grandes momentos, capazes de mudar o rumo de um jogo ou da História, acontecem amiúde sem cálculo. É o acaso. Não é sorte, nem mistério nem milagre. É um mal-entendido. O futebol é um jogo de estratégias, de técnica e de sortilégios. Os grandes talentos, em todas as actividades, são os que, diante de uma situação imprevista, inovam e abrem atalhos. Depois do facto, há sempre explicações lógicas. Valdano comentou que Maradona era um líder, um cérebro em campo, e que isso vai ajudá-lo como treinador – contrariando os preconceituosos que não vêem em Maradona capacidade intelectual, emocional ou técnica para o cargo. Com categoria, o entrevistado fechou a loja: "Mas hoje Messi é mais importante." Ou seja, o craque será sempre mais decisivo do que o treinador.

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