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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Janeiro de 2011 às 00:30

Se um extraterrestre aterrasse hoje subitamente em Portugal, poderia ficar a pensar que o principal problema deste país é um banco chamado BPN. O mais importante para os dois candidatos militantes do partido no governo – Manuel Alegre e Defensor Moura – parece continuar a ser o modo como o Presidente da República, muito antes de ser eleito, comprou e vendeu acções.

É certo que, para o Bloco de Esquerda, um dos dois partidos que apoiam Alegre, a Banca deveria ser toda nacionalizada, mas ao que se sabe a economia em Portugal ainda é de mercado. Comprar e vender acções não é crime.

Ouvindo os discursos dos adversários de Cavaco Silva, o nosso amigo extraterrestre não iria acreditar que este país se encontra sob a ameaça permanente da bancarrota, desacreditado que está junto dos mercados e dos credores internacionais. Passaria também ao lado da confirmação de um cenário de recessão para 2011, adiantada há poucos dias pelo Banco de Portugal. Não saberia, finalmente, que o governo está à beira de pedir o auxílio do fundo de emergência da União Europeia. Ou que há mais de 600 mil desempregados – e a tendência é para o número continuar a crescer.

O ‘alien’ ficaria decerto baralhado com as intervenções dos mais diversos ministros e até do primeiro-ministro numa campanha presidencial que está a decorrer num país que se encontra em profunda crise de credibilidade.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, a anunciar que o primeiro--ministro foi ao Qatar vender dívida pública – e José Sócrates a desmentir que assim tenha acontecido. O ministro da Defesa, Santos Silva, com um submarino avariado nos estaleiros, a insinuar que o Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas, não deve "torpedear" as instituições, nem meter-se onde não é chamado.

A ópera bufa de um governo incontinente que fala pelos cotovelos, numa cacofonia ensurdecedora, não beneficia em nada a imagem de Portugal, interna ou externamente. Mas o mais grave, para os portugueses, é que a estratégia do Partido Socialista assenta no "quanto pior, melhor".

José Sócrates já nem sequer aposta na vitória de Manuel Alegre, mas apenas no desgaste de Cavaco Silva. Preocupado com a sua própria sobrevivência depois de 23 de Janeiro, o primeiro-ministro quer um Presidente da República o mais fragilizado possível. Custe o que custar.

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