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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Fevereiro de 2011 às 00:30

Anda toda a gente a bramir contra o Governo, dentro e fora do Parlamento. Nas ruas é o que se vê, com o desfile de greves e protestos que se conhece. Na Oposição é o discurso permanentemente crítico e mesmo demolidor quanto às competências e esgotamento do executivo socialista. Não raras vezes destacadas vozes oposicionistas rotulam-no como estando já fora do prazo de validade. No entanto, ninguém revelou, até hoje, coragem de avançar com uma atitude susceptível de passar dos discursos aos actos ,i.e., nenhuma força política ousou ir mais longe do que a dureza das palavras, porque sabem que as mesmas se podem convenientemente perder no vento.

O tacticismo e o calculismo imperam, pois quanto maior o desgaste do Governo maior a probabilidade de um bom resultado eleitoral na altura certa. Obrigado, pelas circunstâncias , a reconhecer que a realidade não correspondia ao que ele apregoava, Sócrates está compelido, sem alternativa, a fazer o trabalho sujo e a adoptar as medidas duras e impopulares, pelas quais irá pagar. A moção de censura do BE, cujas motivações não discuto no momento e cujos objectivos assentam na esperteza saloia e nas jogadas de antecipação que os bloquistas tanto gostam de praticar com pesporrência e intolerância, vem atrapalhar as contas a toda a gente, em particular ao PSD, que fica com o "menino" nos braços.

São inúmeros os que, entre os sociais-democratas, alegam ser inoportuno um voto favorável do partido, atendendo à crise financeira nacional e ao facto de a linguagem da moção se dirigir a toda a direita e não apenas ao Governo socialista. Não encaro tal visão como piedosa. Somente serve para demonstrar que, em política, a hipocrisia é mesmo uma arma fundamental e a verdade uma coisa relativa, que deixa a coerência na gaveta com a maior das facilidades. Negando-se a votar, o PSD colaborará activamente na manutenção daquilo que tanto critica, no adiamento do País, uma vez mais. Todos dizem não querer o Bloco, o Central, mas, na prática, o que fazem é viabilizá-lo. Em nome de nada, a não ser dos interesses partidários, de olhos postos na data mais conveniente para aceder ao Poder. Pior do que o País está é impossível. Basta olhar para o disparo dos juros da dívida ainda antes de o BE fazer o seu truque de magia. Foi por estas e por outras, pelo tacticismo e pela cobardia, pelo compromisso e pelo oportunismo, que Portugal se transformou na mentira que é.

NÃO É PARA AMADORES

Sócrates não brinca. Mal o Bloco de Esquerda anunciou a moção de censura, pôs a máquina da propaganda a trabalhar. A ministra da Saúde apressou-se a proclamar que o Serviço Nacional de Saúde tem as contas controladas. Isto é só o princípio do que aí vem.

SÓ FALTA O RESTO

O Benfica está no top 30 dos clubes mais ricos de 2010. Em receitas de bilheteira é mesmo o 11º. Parabéns, pois, para Luís Filipe Vieira, o seu presidente. Só falta agora conseguir o que todos os benfiquistas querem : que a equipa volte a deslumbrar na Europa.

A FÁBULA

Revisitar William Faulkner não é uma obrigação. Apenas prazer e um bom investimento de tempo. O reencontro com a boa literatura não precisa ter hora fixada. Percorrer as páginas de uma das suas melhores obras constitui momento de quase veneração.

NOTAS: Escala de 0 a 20

TERESA ALMEIDA: 14

Foi a magistrada responsável pela acusação no caso Taguspark. Não se deixou impressionar pela notoriedade dos arguidos e avançou com coragem. Exemplo para o sector.

CAVACO SILVA: 13

Já deu um sinal acerca do que poderá ser o seu segundo mandato. A pretexto da prescrição de genéricos, não hesitou em vetar mais um diploma do Governo Sócrates.

TEIXEIRA DOS SANTOS: 8

Não abrandam os juros altos para Portugal, por sinal, na mesma semana em que se soube que os bancos pagaram menos impostos, apesar de em 2009 terem ganho o mesmo.

BRAZ DA SILVA: 5

Prometeu muito, mas desistiu depressa. Fez uma entrada de leão na corrida à presidência do Sporting, mas saiu pela porta pequena sem se perceber bem ao que vinha.

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