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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Dezembro de 2006 às 00:00
Uma ilusão que se desfaz no instante seguinte, como as pistas que escapam às autoridades. As inovadoras operações que estão a mobilizar dezenas de elementos da PSP, GNR e PJ, coordenadas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, resumem-se à elaboração de inquéritos anónimos às prostitutas. E nem sequer a todas, para já apenas às brasileiras. Os mentores desta ideia orgulham-se de estarem a definir, pela primeira vez, o perfil destas mulheres. Mas com que consistência de verdade? Alguém acredita que mulheres assustadas e dependentes se vão arriscar a responder abertamente a perguntas cujo objectivo é prejudicar quem as atemoriza? Ainda por cima feitas por polícias? E os traficantes vão incentivá-las a cooperar? Só se forem os de Leste, que para já, e apesar de serem cada vez mais, segundo investigações internacionais recentes, ficam à margem desta operação. De mero estilo, porque as conclusões podem apontar um perfil e permitir fazer gráficos XPTO. Podem tudo, menos serem muito significativas no combate ao tráfico de mulheres.
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