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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Outubro de 2004 às 00:00
...e deu os exemplos das ex-ministras Manuela Ferreira Leite e Celeste Cardona: a primeira, depois de servir no Governo da Nação, uma política de rigor financeiro e austeridade nas despesas, voltou ao seu antigo posto de trabalho no Banco de Portugal; a segunda pertenceu ao mesmo Governo e passou para administração da Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado, mesmo sem currículo no sector.
A apreciação das atitudes dos políticos nem sempre é tão fácil de destrinçar. Na maior parte dos casos, estamos perante autênticos icebergues em que a parte visível é a menos importante. Daí que os juízos simplistas arrastem muitas vezes para o engano e seja necessário dar tempo aos factos. O que não quer dizer que se aceite tudo. E sobretudo que não se atalhe cerce quaisquer perigos para a liberdade e o direito de expressão.
O quadro da actual crise política tem muitos aspectos opacos. O que só aumenta as inquietações. A maior delas é que o Estado continua demasiado poderoso para uma sociedade tão vulnerável e pouco confiante nos princípios da liberdade.
Há anos que se fala em Portugal de menos Estado para melhor Estado. A modernização demora, porém, porque o poder político não desiste de utilizar alavancas que não lhe são próprias. Ao Estado cabe fazer a lei e a justiça, regular o desenvolvimento e aumentar a coesão social. Este é o serviço que os políticos devem à Nação. No mais, a sua atitude deveria de ser de cidadãos como os outros.
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