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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Junho de 2004 às 00:00
O drama está aí. Alguém levantou a hipótese de o governo oferecer aos portugueses uma ‘ponte’ a 11 de Junho.
Sabe-se como todos, eleitores ou não, se lambem com estes pequenos mimos. Agora a oposição protesta porque o Governo, receoso do voto, joga tudo na abstenção. É uma fezada. E já não há volta a dar-lhe Porque uma vez lançada a confusão o governo não tem alternativa. Com ponte o País agradecido irá a banhos. Sem ela será uma outra terça-feira de Carnaval à Cavaco. E os carrascos não deixarão os seus méritos por mãos alheias.
O que vale é que um soberbo banho de abstenção não matará a democracia e pode mesmo revigorá-la.
A moda dos homens providenciais ainda não acabou.
E a senhora ministra das Finanças inaugurou a moda das transferências de estrelas para a Função Pública.
Pagas a peso de ouro como se dessem o corpo ao manifesto e nos maravilhassem com as suas habilidades, como Figo, Ronaldo, Beckam e outros.
Só é pena que a moda tenha começado por baixo. E não por cima, como impunha a nossa urgente necessidade de homens providenciais.
O bafejado pela sorte (tanta sorte que havia acabado de ver o seu contrato revisto antes desta mediática transferência) ganha muito mais do que a ministra.
É de crer, portanto, que o seu contributo efectivo para a causa pública seja muito mais relevante do que o da sua chefe. Ou a lógica é uma batata.
Inveja, dizem os menos apetrechados de bons argumentos.
Mentira!
Como pode alguém ter inveja de quem passa a ter dois patrões ambos a depositar nele as suas maiores esperanças? De quem terá seguramente de gerir interesses conflituais desses dois patrões?
De quem, sem quaisquer provas do conhecimento do que seja a Função Pública, sai do remanso do seu doce buraco para o inferno que será reformar a DGI, num estilo super-homem? De quem só se espera milagres e aceita o repto ?
De quem, para manter a lenda da sua apregoada excepcionalidade, terá de afivelar uma máscara especial, de pudor ou despudor, (à escolha dele próprio) a transportar consigo sempre que, no dia-a-dia, olhe para um qualquer desses (agora, e ao padrão que lhe atribuíram) míseros e insignificantes trabalhadores da sua DG.
É obra. Inveja?!!
E depois esta coisa dos homens geniais não tem muito que se lhe diga.
É só uma questão de perspectiva. Se se olha para eles muito de baixo parecem-nos uns gigantes. Se se olha um pouco mais de cima já não nos parecem tão grandes. E sempre que se eleva o nível do olhar vão encolhendo até ficarem reduzidos à sua verdadeira dimensão. Às vezes a de anões...
Por isso são, apenas, criações de pessoas com fraco golpe de vista ou grandes défices de auto-estima. Pobre Carlos Queiroz em Madrid.
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