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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Janeiro de 2011 às 00:30

Este distrito de Portalegre, onde orgulhosamente sou agricultor, é infelizmente e à semelhança de grande parte do nosso Portugal, uma região onde grande parte dos campos foram desactivados, sem pessoas e sem culturas. Cenário esse motivado por sucessivas políticas agrícolas nacionais desastrosas do ponto de vista da sustentabilidade produtiva, social e económica, às quais nós, agricultores, somos alheios.

Políticas feitas por uma auto-aclamada elite de intelectuais, que se refugiam e escudam as suas acções numa Bruxelas distante e sem rosto, que não sabem do que é feito essa essência de ser agricultor, de produzir, de gerar, de criar, do cheiro da terra lavrada, do cheiro da erva cortada, do cheiro do restolho dos cereais, o gosto da criação dos animais, o orgulho de alimentar as populações.

Finalmente, acho que estamos num ponto de inflexão, num ponto de viragem, onde hoje já se fala da necessidade premente de termos uma agricultura forte e pujante, tornando o sector impulsionador para o resto da economia nacional.

Durante as últimas décadas muitos de nós foram ficando pelo caminho, mas ainda restam aqueles que pelos mais variados motivos foram ficando por cá, que foram investindo, produzindo, criando e acreditando e sustentado este grandioso espaço que se diz rural.

Assim peço-vos hoje que façam aquilo que nós, agricultores, sempre fizemos: não baixem os braços, acreditem. Acreditem em nós – agricultores portugueses –, nas nossas produções, na qualidade da nossa agricultura e dos nossos produtos. Comprem o que é nosso, o que é produzido no território nacional.

Tenham coragem de o fazer, porque nós tivemos a coragem de cá ficar, perante tantas adversidades.

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