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Correio da Manhã

Opinião
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Octávio Ribeiro

Populismo e social democracia

As críticas a Cavaco Silva são sinal de cegueira de uma elite que recusa ver o perigo da injustiça que galopa

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 5 de Janeiro de 2008 às 00:00
Cavaco Silva apontou para reflexão um dos vários sintomas inquietantes do perigoso caminho que o liberalismo selvagem está a seguir. Isto é populismo – logo acusa uma rajada de vozes autorizadas. Populismo, por quê? O Presidente disse o que larga maioria gostou de ouvir? Sim. Mas tê--lo-á dito para agradar?
E os que lhe apontam esta inesperada deriva populista acham mesmo que Cavaco não está convicto da gravidade da situação que o leva a esta inquietação?
A interrogação do Presidente da República no seu discurso de Ano Novo sobre os riscos da crescente divergência salarial entre gestores de topo e trabalhadores só tem uma resposta: tal disparidade está a tornar-se desumana e ameaça mesmo comprometer equilíbrios sociais essenciais. Quando as massas vêem ruir o Estado Social – e, ao mesmo tempo, a cada escândalo em instituições financeiras, se apercebem de que no sector privado gestores pornograficamente pagos pelos accionistas, por alegados dotes de Midas, são afinal gente que cai na tentação das operações de alto risco, quando não mesmo em benefício próprio – alguém não pressente o perigoso cocktail?
Claro que o mérito tem de ser premiado. E Cavaco há muito professa a prevalência da ‘boa moeda’, que deve até merecer uma melhor paridade nas remunerações nos cargos públicos. Chamar populista a uma tão oportuna inquietação de Cavaco Silva é sinal de cegueira de uma elite que recusa ver o perigo da injustiça que galopa.
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