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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Novembro de 2004 às 01:58
O FC Porto puxou dos galões e derreteu o Sporting com uma segunda parte de grande qualidade. A vitória claríssima e mais que justa dos campeões sobre um ‘leão’ timorato e inofensivo, deixa Fernández mais aliviado e relança dúvidas sobre Peseiro, cuja estratégia (?) falhou. O Porto mostrou estar bem vivo, continua colado ao Benfica e deu a ideia de poder repetir as grandes exibições da era Mourinho.
O Benfica versão consumo-interno vai bem, obrigado. A equipa parece ter as prioridades bem definidas – a Europa é uma coisa que ainda não está ao nosso alcance; a SuperLiga é outra conversa – e talvez por isso não tenha acusado minimamente a goleada de Estugarda (0-3). O líder, eventualmente picado pela ousadia de Couceiro e pelos elogios da Imprensa ao rival sadino, encheu-se de brios e destruiu o Setúbal (4-0!) com uma exibição incisiva, quiçá a mais conseguida da temporada. O Benfica continua instalado no 1.º lugar, Karadas e Sokota deram sinais de uma futura boa parceria e, mais importante, a equipa reagiu muito bem ao descalabro europeu diante dos seus adeptos. A solidez para outros voos começa a construir-se na capacidade de reacção aos resultados negativos e Trapattoni tem muito bem presente qual é a competição onde o Benfica deve concentrar todas as energias.
Elogios para o Setúbal, apesar da desfeita: foi à Luz jogar aberto, não mostrou medo e nos primeiros 20 minutos só se ouviu a torcida sadina, lembram-se? Um jogo não apaga a boa impressão nem retira mérito ao trabalho de José Couceiro. É com este tipo de treinadores que a SuperLiga pode evoluir para outro patamar. E, por falar nisso, que dizer do espectacular rendimento do Marítimo desde que Mariano Barreto é treinador? É uma verdadeira revelação e espero que o desencanto do ‘prof.’ no final do jogo (por causa da expulsão de Edvaldo) não lhe retire discernimento. Suspeito que Mariano Barreto pode vir a tornar-se um treinador de primeira água – sei que ele tem conhecimentos, tem ‘mundo’, e uma visão lúcida do que é a alta-competição – e era uma pena que começasse a usar os estribilhos daquela mão-cheia de treinadores ultrapassados cujo destino é substituirem-se sazonalmente em clubes sem ambições. Não vá por aí, professor. Carlos Carvalhal, responde pelo melhor ataque da Liga: o Belém tem 16 golos e Antchouet assinou metade.
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