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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Portugal fraco com euro forte

Na Dinamarca flexissegurança, significa flexibilidade laboral e segurança para o trabalhador.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 21 de Outubro de 2007 às 00:00
O euro não pára de bater recordes face ao dólar, devido à expectativa da diferença de juros entre a América e a Europa e aos desequilíbrios dos EUA. Não admira que brevemente a divisa europeia chegue aos 1,5 dólares, um valor elevadíssimo se pensarmos que nos primeiros anos da moeda única europeia o dólar valia mais.
O relatório de Outono do FMI diz que a divisa americana se encontra sobrevalorizada, pelo que tem espaço para continuar a perder valor face ao euro. Essa tendência facilita o amortecimento do impacto do petróleo caro, que em dólares chega a cotações estratosféricas, mas prejudica a actividade das empresas portuguesas, tornando cada vez mais caras as produções ‘made in Portugal’ e torna na Europa cada vez mais baratas as importações que chegam da Ásia.
O relatório do FMI aponta precisamente Portugal como um dos países europeus mais afectados pela valorização da moeda europeia e diz que em 2008 a força do euro vai provavelmente pesar nas exportações de países como a França, Portugal e Espanha”. O facto de a economia portuguesa não estar preparada para a competitividade do euro já custou quase uma década de anemia económica. Agora a força cambial obriga a novos desafios de competitividade. Sem o euro era mais fácil o ajustamento: bastava desvalorizar a moeda nacional e com esse truque resolvia-se muitos problemas.
Agora isso não é possível, mas em compensação os consumidores beneficiam de juros muito mais baratos do que alguma vez pagaram no tempo do escudo e os que vão passar férias ao estrangeiro têm agora mais poder de compra. Mas como a cotação da moeda é uma variável que as empresas não controlam, têm é de se esforçar nas variáveis que dependem delas: bons produtos, ao preço mais adequado e contenção nos custos.
FLEXISSEGURANÇA
Foram os dinamarqueses que inventaram o conceito de flexissegurança, mas foi a presidência portuguesa que deu direito de existência ao conceito na União Europeia. Para já não haverá muitas alterações na vida dos cidadãos com a decisão aprovada em Lisboa na quinta-feira, mas a médio e longo prazos pode haver mudanças significativas. E dada a diversidade europeia até pode acontecer que o conceito signifique verdadeira flexissegurança na Dinamarca e em outros países nórdicos, enquanto em Portugal a palavra possa correr o risco de significar apenas liberdade para facilitar os despedimentos. Não é isso que o ministro Vieira da Silva certamente deseja, mas há esse perigo.
TRÊS ALFABETOS
A União Europeia tem uma moeda e já tinha dois alfabetos. Com entrada da Bulgária, o cirílico tornou-se o terceiro alfabeto europeu. Naturalmente os búlgaros também querem que as notas e moedas do euro contenham esses caracteres eslavos. Qualquer dia, uma simples nota de cinco euros arrisca-se a ser um dicionário de grafias do Atlântico aos Urais.
ENVERGONHADOS
O Presidente da República confessou-se envergonhado com os números da pobreza divulgados pelo INE. Há quase dois milhões de portugueses pobres e se não fossem os subsídios do Estado haveria perto de quatro milhões nessa situação. Qualquer português tem razões para se sentir envergonhado com este quadro, que não se tem alterado significativamente nos últimos anos. Só com aumento mais vigoroso do PIB e com distribuição justa dessa riqueza será possível erradicar este quadro lamentável.
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