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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Junho de 2011 às 00:30

O espectáculo é comovente. Olham para o memorando da troika, coçam os neurónios e garantem que é a última oportunidade.

Mas antes de porem as mãos na massa, lembram-se de que há imensos obstáculos no caminho. O primeiro é a revisão constitucional, claro. Sem esse passe de mágica, nada feito. Não se pode mexer na Justiça, na legislação laboral, nos governos civis, nos despedimentos no Estado, no Serviço Nacional de Saúde e muito menos no corte drástico de freguesias e municípios. No meio deste imenso delírio, gritam uns para os outros e para o povinho ouvir que Portugal não pode falhar. É verdade.

Quem diz isto com fervor e a mão no peito são exactamente os mesmos que falharam em toda a linha e abriram caminho para esta desgraça. Não foi o povinho, que seguiu sempre a cartilha dos doutores. Abandonou a agricultura, as pescas e despovoou o Interior porque os que agora se lembram do campo e do mar os obrigaram a vir para as cidades vegetar em nome de políticas europeias que encheram as auto-estradas de jipes e o Litoral de mão--de-obra barata para os espertos do costume explorarem à tripa forra. Falhar ou não falhar já não é a questão. Por uma simples razão. Portugal já falhou.

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