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Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Joana Amaral Dias

Prevenir os vivos, evitar os mortos

Logo após o ‘Katrina’, discutiu-se responsabilidades políticas. Era possível impedir o vento assassino? Não. Mas um outro planeamento amenizaria a ferocidade. Esse furacão também demonstrou como os golpes naturais expõem as vulnerabilidades sociais. E essas deveriam ter sido minoradas. Como no Haiti.

Joana Amaral Dias 27 de Fevereiro de 2010 às 00:30

Portugal debateu Nova Orleães e Port-au-Prince. Porquê prescindir da racionalidade com a Madeira? Cérebro mediante a desgraça alheia, cabeça na areia perante a calamidade em casa? Embora Jardim diga que voltará a fazer tudo igual e insulte de "canalha" quem questiona o ordenamento do território, as garras da intempérie foram potenciadas por essas opções erradas. Que devem, finalmente, ser corrigidas, sob pena de a próxima implacável investida da natureza voltar a apanhar-nos imprudentes. E mesmo a jeito.

Foi muita água em muito pouco tempo, e o relevo da Madeira não ajuda. Mas mora aí a mais elevada taxa de pobreza do País, não se deve construir em leito de cheia, deve evitar-se a desflorestação. Tem história o "cuidar dos vivos, enterrar os mortos". Só que, surpresa, não é 1755 e hoje pode e deve minimizar-se toda a inevitável catástrofe natural. Em 2010, cuidar dos vivos não pode chegar somente na hora da morte.

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