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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Promessas de betão

Neste País o sonho de todos os governantes é deixar ‘obra feita’ e infelizmente é só obra de betão, porque de outros feitos e obras valorosas os portugueses não têm muita memória.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 14 de Março de 2007 às 00:00
As declarações de paixão para com o ensino, as promessas de qualificação ou os anúncios do choque tecnológico ficam bem, mas não se sabe se terão resultados, enquanto a obra de betão é visível. A meio do mandato e apesar de as sondagens mostrarem que o Governo continua em estado de graça, a economia não dá sinais de aceleração. Contra esta crise e falhados os outros remédios, o Governo tem dois trunfos com apenas seis letras: Ota e TGV.
O investimento no TGV arrisca-se a destronar o investimento de 1,78 mil milhões de euros realizado na linha do Norte como o minuto mais caro da economia. É que essa montanha de dinheiro foi gasta e nas ligações ferroviárias Lisboa-Porto ganhou-se pouco mais do que cinco minutos. Por seu lado a Ota promete ser o maior negócio da próxima década.
Os bancos e as grandes construtoras já estão na corrida, num negócio que envolverá muito mais do que os três mil milhões anunciados. O Governo decidiu, mas há muitas questões que não foram esclarecidas, desde a relação custo/benefício ao impacte ambiental. Não é preciso, nem é possível, fazer um referendo sobre o caso, mas era fundamental que todas as dúvidas fossem esclarecidas antes de avançar o projecto.
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