Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
5
3 de Abril de 2005 às 17:00
A indicação dos nomes de Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis como candidatos a presidente das câmaras de Lisboa e Porto pelo PS mostram a determinação de José Sócrates em romper com o passado recente do partido. No Porto caiu o caciquismo de Fernando Gomes e Narciso Miranda e o provincianismo de Nuno Cardoso. Em Lisboa acabou--se com o sonho de regresso ao passado de João Soares e colocou-se ponto final nas ambições secretas de Ferro Rodrigues. O PS escolheu para Lisboa um homem com mundo e para o Porto optou por democrata sereno e de princípios, como havia sido demonstrado em Felgueiras, na altura certa. Pelo que se começa a perceber do sussurrar do partido, o PS da baixa política está intranquilo, inseguro e começa a conspirar. Face aos processos de sucessão na Direita, a oposição a José Sócrates virá, nos próximos tempos, dos medíocres deserdados no PS e dos seus contactos no mundo da comunicação social.
A luta entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes está desinteressante. Não galvaniza os militantes, como a do PS há alguns meses, e embora se deva dar o desconto de duas conjunturas em absoluto diferentes (o PS cheirava então o Poder e o PSD angustia-se com a sua perda recente) resulta evidente que há espaço para uma terceira via que faça a ponte entre o formalismo passadista de Mendes e o populismo de Menezes, que perde pela proximidade ao consulado de Santana Lopes. Manuela Ferreira Leite ou António Borges podem estar na véspera de fazerem a rodagem a um qualquer automóvel acabado de comprar. Basta quererem.
No PP, encontrar a sucessão de Paulo Portas está ainda mais difícil. Lobo Xavier, Telmo Correia, Pires de Lima e Maria José Nogueira Pinto estão na grelha mais por indicação externa, em absoluto variada, do que por vontade pessoal. Se Manuel Monteiro, o demagogo, não tivesse partido precipitadamente, minado pelo despeito e vontade de uma vingança pueril, teria agora uma possibilidade séria de voltar a liderar o partido. Ou, pelo menos, cumpriria a função de obrigar alguém a decidir-se…
Com António Guterres fora da corrida, Cavaco Silva não está a decidir se quer ou não ser candidato. Apresta-se para dizer se quer ou não ocupar o Palácio de Belém. Provavelmente quererá. Será uma boa notícia para o País.
A questão do aborto, em princípio, deve ser remetida para o próximo ano. Ainda bem, pois corria-se o risco de referendar primeiro a bandeira de Francisco Louçã do que a constituição europeia, cuja pergunta está dependente da revisão constitucional e de um acordo entre o PS e PSD. Seria um aborto dar a prioridade ao Bloco de Esquerda e deixar a Europa para depois.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)