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Fernando Calado Rodrigues

Qual Francisco?!

O cardeal quer, agora como Papa, levar a Igreja a intensificar a sua opção preferencial pelos mais pobres.

Fernando Calado Rodrigues 15 de Março de 2013 às 01:00

Pela primeira vez, a Igreja vai ter um sucessor de Pedro oriundo do continente americano, um jesuíta e um Papa Francisco.

A primeira decisão de um novo Papa é, precisamente, escolher o nome que vai adotar. A escolha do nome não é feita de forma aleatória, mas encerra já um sentido para o Pontificado que se inicia.

Possivelmente, na missa de inauguração do seu ministério, o até agora Cardeal Jorge Mario Bergoglio explicará as razões da adoção do nome de Francisco.

Tudo indica que essa escolha faz referência ao Santo de Assis. Ao escolher o nome do "poverello d’Assisi", como lhe chamam carinhosamente os italianos, está a dar um sinal claro aos cristãos e ao mundo.

O Cardeal que, em diversas circunstâncias ao longo da sua vida, revelou uma particular atenção para com os mais desfavorecidos, quer, agora como Papa, levar a Igreja a desenvolver e intensificar a sua opção preferencial pelos mais pobres.

Procurará, também, que a instituição que vai liderar durante os próximos tempos saiba despir-se do supérfluo e do desnecessário para assumir um estilo e um testemunho mais coerentes com a pobreza evangélica, proposta pelo seu fundador, Jesus Cristo.

A sua primeira aparição pública parece confirmar esta perspetiva. Assomou à varanda de S. Pedro na alvura dos trajes papais, sem o revestimento dos vermelhos da romeira e estola pontifícia, como aconteceu com os seus antecessores.

Pode, porventura, na base da sua escolha estar um outro grande santo do catolicismo, S. Francisco Xavier, jesuíta como ele. Nesse caso, deverá estar no horizonte das suas preocupações estimular o caráter missionário da Igreja.

Esse outro Francisco, contemporâneo de S. Inácio de Loyola – o fundador dos jesuítas –, anunciou o Evangelho no Oriente e é considerado o missionário que mais pessoas converteu ao cristianismo.

Provavelmente, o Papa Francisco pretenderá referir-se a ambos. E faz todo o sentido que eleja como prioridades para o seu ministério petrino a opção preferencial pelos mais pobres e a inquietação missionária da Igreja.

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