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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Agosto de 2003 às 00:00
Se os leões tivessem ganho os dois jogos do Bessa, mostrando os mesmos princípios de jogo evidenciados nas partidas com o Benfica e com a turma aniversariante, o meu ponto de vista seria exactamente o mesmo. É que o Sporting, mesmo na fase ganhadora de Bölöni, nunca rompeu com os cânones de uma equipa instalada, aburguesada, à qual se exige pouco e da qual às vezes já pouco se espera.
A contratação de Fernando Santos, segundo estes conceitos, é um risco, porque pode não ter o perfil certo para acabar de vez com a preguicite que reina em Alvalade. Fernando Santos construiu a imagem de um técnico educado, urbano, um pouco à imagem dos actuais dirigentes da SAD, com ou sem Ribeiro Teles, e a sua desilusão após o jogo-treino com o Estoril poderia constituir um aviso e também o 'despertar das tropas', que todavia não aconteceu após o encontro com os canarinhos.
Há muitos anos que o Sporting pode jogar melhor ou pior mas não tem, em constância, a atitude de uma equipa que procura incondicionalmente a vitória. Isso tem a ver com os jogadores e com a natureza das suas escolhas mas tem a ver, sobretudo, com uma escola que não existe do ponto de vista técnico-táctico.
O Sporting, com Bölöni, a ganhar e a perder, já jogava em 'circulação espaçada' (valeu-lhe, no melhor momento, o jogo directo para Jardel), mas o seu estilo há muito que transporta toneladas de bolor, está ultrapassado, já não se usa - ninguém pressiona o portador da bola adversário, que é uma coisa que qualquer equipa faz, até na II Liga, através dos seus avançados, quando adopta a posição defensiva.
Fernando Santos tem de perceber isso, romper com a 'evolução na continuidade', que é um faz de conta enjoativo e absurdo.
A defesa do Sporting ainda não jogou com Polga (neste momento só jogou com folga) e é um susto, pior que o comboio fantasma da Feira Popular.
Colocar Tello no onze é jogar com dez; colocar Tello e Hugo entre os titulares, a tão pouco tempo do arranque do campeonato, é masoquismo ou imensa confusão de ideias.
Pode ser que Beto e Polga resolvam alguns problemas dramáticos da estrutura defensiva leonina, mas duvido que César Prates, ultimamente tão mal tratado, seja depressa esquecido.
Porém, independentemente da escolha dos titulares, o Sporting tem um problema de filosofia competitiva, que Bölöni acentuou e Fernando Santos está longe de aparentar resolver. O leão volta a miar - e necessita de uma cirurgia completa para conseguir rugir.
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