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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Dezembro de 2006 às 17:00
Os últimos 15 dias foram, no PSD, marcados por muito ruído interno, pouco inteligível para o cidadão comum, mas com grande significado. As eleições na secção de Algés e as declarações públicas de vários dirigentes sobre o presente e o futuro do partido de Sá Carneiro foram muito caracterizadoras da sua actual realidade interna.
Sempre considerei que numa comunidade com uma enraizada matriz democrática, como é o caso do PSD, todas as tentativas de controlo menos transparente da vontade colectiva estão condenadas ao insucesso.
Embora esse tipo de prática seja demasiado tentadora para alguns dos colaboradores mais próximos da actual direcção, a razão da minha convicção ficou ainda mais fortalecida esta semana.
Durante meses, esse tipo de prática foi virado, de forma prioritária e obsessiva, para a preparação das eleições na secção de Algés, um dos maiores bastiões de militância PSD. Para quem tem essa visão retrógrada e insensata da democraticidade interna, esta era ‘a mãe de todas as batalhas’. Porque era uma importante secção da Grande Lisboa e porque era vital ‘dar uma lição’ a uma ‘rebelde heterodoxa’, ‘perigosa opositora’ da direcção nacional, a deputada Helena Lopes da Costa.
Durante semanas, ‘desapareceram’ das listas de eleitores dezenas dos seus apoiantes e ‘nasceram’, por geração espontânea, vindos dos subúrbios, centenas de opositores. Administrativamente, a data das eleições foi sendo protelada até ao dia em que os recém-filiados tivessem o tempo de militância necessário para terem capacidade de votar.
Debalde, não é com um muro de areia que se pára tal correnteza. A emblemática ex-vereadora da Câmara de Lisboa dizimou a concorrência.
Espero que este exemplo restabeleça a normalidade na gestão político-administrativa do maior partido da Oposição e que, assim, todos os mais responsáveis se concentrem no essencial: o combate ao PS e ao seu Governo.
Há dias, num mega-almoço que juntou quase quatro mil pessoas, critiquei o Governo socialista e provei que ainda é possível mobilizar, com entusiasmo, pessoas de todos os quadrantes etários e sociais para causas nacionais, desde que as propostas sejam feitas com convicção.
Os editorialistas dos semanários de fim-de-semana deitaram-se a analisar e a esmiuçar aquele evento. Todas as análises privilegiaram o ângulo negativo. Ainda bem. É sinal que perceberam que o PSD que eu defendo não é de omissões e de compromissos pantanosos.
Dias depois, dois órgãos de Comunicação Social, de acordo com critérios editoriais respeitáveis mas indecifráveis, entrevistaram Rui Rio e Morais Sarmento. Nessas entrevistas, o que há a reter? O primeiro, Rui Rio, ‘apoiou’ Marques Mendes, ao mesmo tempo que elogiou José Sócrates, antevendo-lhe uma vitória em 2009. O segundo, Morais Sarmento, afirmou que Marques Mendes não tem carisma, nem causas.
Concluí que, afinal, sou dos poucos que ainda dão o benefício da dúvida aos actuais dirigentes nacionais. É caso para dizer, ‘com amigos destes’…
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