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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Março de 2011 às 00:30

Bruxelas questionou as contas públicas de 2010: o Eurostat levantou dúvidas sobre os gastos com as empresas públicas de transportes e o BPN. O défice pode, pois, ser superior a 8%. Falharam. Nada é claro com este Governo. Isto depois de um PEC apresentado e negociado à revelia do País, com a arrogância de quem quer, pode e manda... (esquecendo que estamos em Democracia) e com desprezo institucional profundo, reiterado pela recusa em sujeitar o PEC a votação na Assembleia e pelo virar de costas ao Parlamento, ontem. A verdade é que do País os Portugueses sabem pouco: o Governo falta à verdade e para o Primeiro-ministro é natural anunciar internamente que tudo corre bem, enquanto negoceia externa e clandestinamente novas medidas de austeridade (o que significa que tudo corre mal).

À hora a que escrevo, tudo indica que o PEC irá ser chumbado e que, em teoria, José Sócrates poderá pedir a demissão, enquanto não é totalmente visível o mal que fez ao País (calculismo puro). Como entender, pois, que Mário Soares e Jorge Sampaio, que se referem, amiúde, à liberdade e à justiça social, venham agora temer que o Povo diga se quer continuar por este caminho ou se prefere outra política? Nem mesmo para a Agência Fitch, uma crise política ameaça o rating, por Portugal já ter adoptado um orçamento de austeridade para 2011.

Todos os que cremos na Democracia, na Liberdade, num País mais justo, com menos desigualdades, mais seriedade em Política, menos corrupção, menos crispação e arrogância, temos esperança de que os sacrifícios que temos de fazer – e ainda são muitos – sirvam para resolver os problemas do País e não para continuar a alimentar interesses. O Povo Português, quando chamado a decidir, tem tido grande sabedoria e serenidade. Porquê recear, então, dar a palavra ao eleitorado, num momento tão nuclear da vida nacional, em que poucos esbanjaram o que era de todos? Uma nova esperança pode nascer nas nossas vidas amarfanhadas por anos de má gestão dos dinheiros públicos, de colocação de amigos e boys partidários nos lugares mais bem remunerados, sem critérios de mérito: claro que o dinheiro acabaria e as dívidas viriam. E o juro dessas dívidas aumentaria. Com novas políticas, com outros governantes que sirvam o País – em vez de se servirem – os sacrifícios vão continuar, mas não existiriam desperdícios; seriam feitos de forma igualitária e, principalmente, poderíamos deixar aos nossos filhos um futuro melhor. Mas só se assim for.

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