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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Queda dos banqueiros

O rating dos banqueiros está entre os activos mais degradados na sequência da crise financeira que rebentou em 2008 por causa d0 subprime americano e se propagou à Europa com o ataque aos elos mais frágeis do euro. Se antes um cidadão médio confiava mais num patrão da alta finança do que num político, agora venha o diabo e escolha. <br/><br/>

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 13 de Julho de 2012 às 01:00

Na América, a grande banca de investimentos aproveitou os rendimentos do crédito subprime para ganhar milhões com produtos sofisticados que se baseavam em hipotecas de pessoas sem trabalho e sem rendimento, que deixaram de pagar as contas. Depois desta tragédia, já são tantos os casos de crimes financeiros cometidos em instituições até há pouco insuspeitas que raros são os bancos que podem dizer que estão livres de escândalos, desde as perdas milionárias até a manobras obscuras, como a batota do Barclays com a fixação das taxas de referência dos juros.

Por cá, além dos casos do BPN e do BPP e dos escândalos do BCP, há ainda um icebergue de crédito incobrável, grande parte dele perdido em especulação financeira, que, apesar dos recados da troika, ainda permanece disfarçado no balanço dos bancos. Neste país, dificilmente alguém irá preso por dar centenas de milhões de euros sem garantias a projectos de rentabilidade duvidosa. Já se sabe que a Justiça portuguesa pune severamente os assaltos aos bancos, mas fica completamente cega quando os desfalques são realizados nos gabinetes, embora lesem o património da instituição em milhares de vezes mais do que qualquer roubo ao balcão.

Em Espanha, onde os buracos das Cajas fazem lembrar os negócios de Oliveira e Costa, Dias Loureiro & companhia, os responsáveis do Novagalicia pediram perdão publicamente aos clientes por o banco ter vendido gato por lebre.

Nenhuma economia pode viver sem Banca. Sem crédito, não há investimento nem criação de emprego. O acesso ao crédito multiplica a riqueza e melhora a qualidade de vida. Mas os banqueiros têm de voltar ao fundamental do negócio e lembrar uma velha máxima que prova ser lucrativa há séculos: "A honestidade é a melhor política." Nos próximos anos, a Banca será um negócio mais monótono, mas provavelmente mais seguro.

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