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Correio da Manhã

Opinião
27 de Junho de 2009 às 00:30

A culpabilização implícita de Sócrates teve pois um efeito paradoxal: concentrou nele as responsabilidades do resultado mas também a resposta política capaz de alterar os dados da situação até aos actos eleitorais de Outono.

O que se afigura muito difícil para um só homem e assenta na concepção de que o PS não existe como corpo deliberativo e organizado. Fora algumas intervenções na Comissão Política ecoadas na imprensa – entre as quais avulta a de Carlos César – foi como se o partido não existisse neste período post-europeias.

Regime de partidos sim, mas estes só como comités eleitorais? Ora quer-me parecer que tanto, ou mais, do que Sócrates – que tem a sua personalidade individual – o PS também deve indagar rapidamente qual a natureza da sua presença na sociedade portuguesa se não quiser ter um triste destino nos tempos mais próximos. Ainda por cima já se percebeu o nada que a sociedade portuguesa tem a esperar de uma eventual vitória da direita nas próximas legislativas.

O PSD tarda a apresentar um programa com soluções para ultrapassar a crise, limitando-se a ler os indicadores das dificuldades, e a quedar-se aterrado no imobilismo que já fez Portugal perder décadas de desenvolvimento noutras circunstâncias.

Por tudo isto seria bom que entre José Sócrates e o PS tivesse lugar uma conversa franca sobre o melhor modo de não se oferecer à direita o poder em Portugal nas próximas legislativas.

DEBATE SOBRE OBRAS PÚBLICAS

Que tal um debate nacional sobre as obras públicas? Já se percebeu que estas serão uma escolha entre a esquerda e a direita nas eleições. Podem as obras públicas promovero desenvolvimento de um modo que as outras actividades não conseguem agarrar, e conjugar, investimento, benfeitorias e emprego? Deve o Estado lançar um grande empréstimo interno para o efeito e para que obras? Não se pode deixar só aos economistas o nosso destino.

REMODELAÇÃO EM FRANÇA

Grande remodelação governamental em França. Nada menos do que oito ministros saíram, oito entraram, nove mudaram de pasta. É preciso nervo e conhecer pessoas, segui-las, escolhê-las ou mudá-las. Sarkozy também falou de Cultura ao convidar Frédéric Mitterrand para a pasta. Não custa mais e faz a diferença. E lançou a ideia de um grande empréstimo interno para as obras públicas. Topam?

UM LIVRO PARA O VERÃO

Conheci a autora antes de lhe ler a obra. Foi em Matosinhos no encontro Literatura em Viagem organizado pela Câmara e pelos irmãos Guedes. Isabel d’Ávila Winter, ela própria parecia saída de um romance ao desembarcar na Campanhã vinda da Austrália onde, disse-o mais tarde, escreve sobre Lisboa enquanto vê cangurus. Tudo nela era composição e verdade. Como o belo livro da sua autoria que agora leio, ‘Dona Stella e as Suas Rivais’, uma ficção inspirada na vida do Maestro Luiz de Freitas Branco.

ESPERANÇA NÃO É QUALIDADE DE VIDA

Os demógrafos mediram o crescimento médio da esperança de vida mas não cuidaram da sua qualidade com o passar dos anos: doenças, medicamentos, dependências, despesas. Os caixas da segurança social registaram, depois de receberem as longas contribuições dos anos de trabalho,o prolongamento previsível das pensões.

Como qualquer entidade financeira começaram a descontar tendo em conta um 'factor de sustentabilidade' implicando que, quanto mais se espera viver, menos se recebe. Esta medida teve o apoio de, pelo menos, 28 economistas tirados à sorte. Ninguém vetou, ninguém mandou parar a taxa. Em Portugal esse factor significa, este ano, um corte de 1,3% nas novas pensões. Pois agora a veneranda OCDE inquieta-se com as consequências dessa medida em tempo de recessão económica por a considerar capaz de agravar o fenómeno da nova pobreza e aconselha a suspensão do automatismo da fórmula. Até tu, OCDE!

A SEGUIR

Eleições: A marcação das datas para as eleições autárquicas e legislativas vai marcar a agenda política até ao Outono. As posições estão anunciadas e não parecem de fácil solução. Se a Constituição quisesse que o PR marcasse os dois actos eleitorais para o mesmo dia tinha-lhe atribuído a competência para marcar a data de ambas. Mas as coisas estão trocadas: devia ser o PR a marcar a data das autárquicas tendo em conta a autonomia do Poder Local face ao Governo…

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