Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
3
26 de Novembro de 2006 às 00:00
O que ainda faz ‘Clube Morangos’ nas tardes da TVI, onde em menos de dois meses já experimentou pelo menos três horários diferentes? O programa que José Eduardo Moniz criou – para reforçar a marca ‘Morangos’, mas também para tentar travar o crescimento da SIC (e da RTP...) no período da tarde – arrisca-se a ser o ‘flop’ do ano e ainda, talvez, responsável pela aproximação da concorrência no ‘share’ médio de Novembro. Futebol à parte (Campeonato do Mundo), nunca a TVI teve, nos últimos 20 meses, tantas dificuldades para segurar a liderança como agora. Não está nada fácil.
A sensação que existe, cada vez mais, é a de que o ciclo de liderança da TVI pode estar a caminhar para o final. Moniz corre o risco – muito real – de ter em Novembro o pior mês de 2006, mesmo ganhando de novo e ganhando, recorde-se, pela décima vez em onze meses. Mas há sinais evidentes de fragilidade/desgaste na programação da TVI e que só não vê quem não quer. Se, eventualmente, 2007 trouxer um novo líder, não é líquido é que seja... a SIC. E esta é a principal questão que falta ver esclarecida. Os tempos, por agora, são de grande equilíbrio.
O que fez, então, a SIC para se manter próxima dos 27 pontos de ‘share’ e logo num mês em que a TVI voltou a apresentar, tal como em Outubro, estreias de peso? A SIC, mesmo acossada pela RTP, sobe em relação aos dois meses anteriores e irá terminar Novembro a uma curtíssima distância do líder. Francisco Penim está a colher os frutos de um ‘Contacto’ que, inesperadamente, se tornou numa arma de peso (uma espécie de herói acidental) e há, também, o ‘pormenor’ de nesta fase três telenovelas da Globo terem coincidido na recta final (duas, aliás, ainda estão). Mas vamos a factos: com números gémeos aos que a SIC alcançou nos últimos três meses, Manuel Fonseca foi despedido; de 1994 (quando fez 28,6) para cá, este é o pior ano da história da SIC (não irá além da casa dos 26). Ainda assim, curioso, a SIC tem motivos para acreditar na liderança. E há um ano não tinha.
‘Doce Fugitiva’ não é um fenómeno de massas, nem conseguiu até agora tornar-se no produto que a TVI precisava para fazer disparar os números da estação. Longe disso. Antes da estreia, acreditei que esta novela poderia não só ter resultados mais elevados, como ‘empurrar’ até outros programas da estação e, ainda, obter ‘scores’ mais gordos no seu horário de repetição. Puro engano (meu, claro). Apesar disso, ‘Doce Fugitiva’ tem um mérito que (ainda) ninguém lhe pode tirar: no horário nobre, nunca perdeu um dia. Ou seja, liderou sempre.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)