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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Maio de 2003 às 00:00
Escutem os sábios. Na sessão de homenagem a Silva Lopes que decorreu sexta-feira no Instituto Superior de Economia e Gestão, o homenageado e mais dois prestigiados economistas, Cavaco Silva e Vítor Constâncio, alertaram para a possibilidade de a economia portuguesa conhecer um crescimento baixo durante um período de tempo que poderá ser prolongado. Silva Lopes admitiu mesmo uma divergência da evolução dos próximos anos da economia nacional face à União Europeia. Isto significa que alcançar a média da riqueza da Europa é cada vez mais uma distante miragem para os portugueses. Sobre a disputa académica que actualmente divide ilustres economistas, os três sábios citados rejeitam a utilização de estímulos orçamentais e fiscais para a dinamização da actividade, mas defendem a redução das contribuições patronais para a Segurança Social, uma taxa que é de 23,75% sobre o salário bruto dos trabalhadores e que desincentiva a criação de emprego por parte das empresas. Uma das sugestões apresentadas para compensar esta receita seria o aumento da taxa de IVA, uma medida que merece algumas reservas a Silva Lopes. Não é preciso fazer muitas contas, nem ser especialista em economia para perceber que uma taxa de 23,75% é penalizadora para a criação de emprego. Na prática uma empresa que tem 100 trabalhadores tem de pagar o equivalente a quase 124 salários mensais. E criar emprego é uma necessidade urgente. Em termos reais, se somarmos os desempregados contados pelo INE, às pessoas que não procuraram emprego ou já desistiram, já há mais de meio milhão de portugueses sem emprego. Por isso premiar as empresas geradoras de trabalho e riqueza, podia ser uma boa ideia.
Dinheiro mais barato. Com o euro a bater recordes face ao dólar, o Banco Central Europeu tem ainda mais margem de manobra para embaratecer o preço do dinheiro. Actualmente a principal taxa de referência do Banco Central Europeu está em 2,5%, um valor já historicamente muito baixo, mas na primeira quinta--feira de Junho pode descer para pelo menos 2,25%. Para os muitos milhares de portugueses endividados esta tendência é uma boa notícia, porque uma baixa das taxas de referência tende a traduzir-se directamente numa redução da factura a pagar mensalmente pela prestação do empréstimo. Se para os endividados as notícias vindas de Frankfurt representam um alívio, para a economia esta injecção poderá ainda não ser suficiente para acelerar a desejada retoma.
Pagar para ver e ouvir. O Governo decidiu substituir a taxa de radiodifusão por uma contribuição para o audiovisual. A factura da taxa não sofre grandes alterações uma vez que o aumento anual da contribuição é limitado. O curioso é que mesmo os surdos e agora os cegos vão pagar por igual a contribuição. E quem tem duas casas paga a dobrar. É a solução mais fácil, mas não a mais justa.
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