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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Outubro de 2007 às 00:00
Uma coisa é clara. Influenciados pelo ‘espírito de Lisboa’, os líderes europeus optaram por um caminho de bom senso, moderação e compromisso.
O novo acordo “reformador” da União não é, assim, uma Constituição. Melhor dizendo, não será a Lei Fundamental de um estado, nem cria, com a aprovação a 13 de Dezembro, uma nova entidade política.
Em vez de ir pela via visionária – alguns dirão, megalómana e delirante – da abortada ‘Constituição Giscard’, o novo texto limita-se a emendar (e actualizar) pactos existentes.
Suprime o preâmbulo simbólico e lírico, e retira todos os elementos formais que pudessem aparecer, aos olhos dos críticos, como indicadores da construção do temido ‘Super-Governo Federal’.
A bandeira e o hino comunitários são despromovidos, em dignidade, não haverá um Presidente da União (mas um Presidente do Conselho, com mandato prolongado), a Carta de Direitos é um anexo, e não desaparece o direito de veto nacional, sobretudo, em áreas mais sensíveis de soberania. O projectado ‘MNE europeu’ será um mero ARPES: Alto Representante para a Política Externa e de Segurança.
Claro que a UE ganha uma tranquilizadora referência à sua “personalidade jurídica” própria: mas só “dentro das competências conferidas pelos estados”.
Todos respiraram fundo. O Tratado não irá ser o monstro de Frankenstein e o dia 13 calha numa quinta-feira.
BHUTTO E OS BRUTOS
Com 35 anos, Benazir Bhutto foi a primeira mulher a chefiar o governo de um país islâmico. Chegou ao poder, duas vezes, pela via eleitoral: o voto no seu PPP foi sempre indiscutível.
Também se sabe que Bhutto tentou reformar o Paquistão: afastar os poderes feudais do Punjab, modernizar a sociedade, colocar a religião no domínio da consciência e não da política. Antes de regressar a Carachi, falou do tempo em que, no seu país, não se perguntava o credo a uma pessoa.
Mas os governos de Bhutto falharam. Tiveram contra si poderes instalados, o peso da tradição, o “fundamentalismo”, a ambiguidade militar. E viram pairar, acima das intenções declaradas, a sombra da corrupção.
Pode dizer-se que os processos contra Bhutto (e, sobretudo, contra o seu milionário marido) foram políticos e fabricados? Sim, mas só em parte.
De qualquer forma, a senhora volta com coragem, com um pacto não escrito com Musharraf, intenções de ir a votos, em Janeiro, e com a promessa de combater os “extremistas”.
As primeiras bombas já lhe responderam. Mas nada está perdido. Nem ganho.
ALI VAI
Ali Larijani deixou se ser, abruptamente, o negociador nuclear do Irão. A sua saída derivou de um acordo entre o presidente Ahmadinejad e o líder supremo, Khamenei. Deu-se pouco tempo depois da visita de Putin a Teerão e poucos dias antes de uma reunião decisiva com Javier Solana. Quis Larijani enviar uma mensagem? Qual? E o seu sucessor, Saeed Jalili, trará um novo estilo, ou outra substância? Aguardemos.
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