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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

Realismo e realidade

A entrevista de Sócrates à SIC é um marco de realismo e de imposição da própria realidade ao discurso do primeiro-ministro e do Governo.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 8 de Janeiro de 2009 às 00:30

Depois de ter andado a vogar ao sabor de um estado de negação da evidência, atrelando o discurso do Governo à artificialidade de previsões todos os dias desmentidas pela realidade, o primeiro-ministro admitiu tudo: que há crise, que há recessão, que é coisa séria, que o desemprego pode crescer, por aí adiante.

Ou seja, o primeiro--ministro viu-se acometido de um forte realismo por força da realidade ela própria, confirmando, finalmente, que acredita que Portugal vive um período de absoluta excepção histórica. Vive um período que desafia a própria forma de fazer política e que, daqui para a frente, obriga todos os partidos a pensarem muito seriamente em todos os cenários pós-eleitorais. Não sendo previsível que venham a ser feitas coligações pré-eleitorais, a questão central estará em saber que alianças vão ser possíveis fazer num quadro, muito provável, de ausência de uma maioria absoluta.

Tanto o PS como o PSD, partidos nucleares do sistema, estão obrigados a uma reflexão muito profunda nesta matéria. É nestas alturas de crise que se fundam os períodos de prosperidade ou de desastre absoluto. A estabilidade e a governabilidade vão obrigar PS e PSD a considerarem todo o tipo de cenários. Resta saber como vão conseguir sair deste imbróglio sem prejudicar os seus interesses e, sobretudo, o interesse nacional.

 

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