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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Remédios perigosos

Há ilustres economistas, nacionais e estrangeiros, que têm defendido que uma das soluções para a crise portuguesa seria a baixa dos salários. Nos modelos económicos com poucas variáveis, a baixa de salários aumenta a competitividade do país.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 22 de Maio de 2010 às 00:30

Mas na prática a aplicação deste princípio teria efeitos caóticos, conduzindo a um ainda mais acentuado empobrecimento. Em vez de o fantasma do país ser a Grécia passaria a ser a Somália.

Imaginem o efeito que teria na procura interna a quebra de 20 ou 30% dos salários. As empresas de comércio, os restaurantes, as oficinas que teriam de fechar por causa do encolhimento da procura interna. E alguém pensou nos milhões de famílias com crédito bancário, especialmente para a habitação, que deixariam de poder honrar os compromissos? E o que seria dos bancos, já aflitos com problemas de liquidez, com novos recordes de crédito malparado? Em situações pontuais, em algumas empresas, será melhor cortar salários do que destruir empregos. Mas, como se percebe, a generalização destes remédios seria perigosa. O próprio défice aumentaria com a quebra drástica do IRS, que, como se sabe, penaliza especialmente os salários. Quem faz estas recomendações está certamente de boa-fé, mas de notáveis economistas com boas intenções deve estar o inferno cheio.

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