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Correio da Manhã

Opinião
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Maria de Belém Roseira

Remodelações

Era absolutamente evidente para qualquer pessoa que tivesse um mínimo de experiência governamental que a ideia dos superministérios estava destinada ao fracasso.

Maria de Belém Roseira 27 de Julho de 2013 às 01:00

Mas é bom que se perceba que este tipo de ‘inovações’ radica em ideias populistas, apresentadas como visando obter efeitos virtuosos que acabam por se converter em perversos. É bom lembrar que esse modelo foi anunciado com o objetivo de reduzir as famosas ‘gorduras de Estado’, pois um Governo mais pequeno seria mais ágil e mais barato.

Nada de mais errado. Além dos enormes gastos diretos que esse rearranjo determinou, a eficácia da governação ficou comprometida, criou incoerências e áreas de conflitos em relação à abordagem de diferentes matérias, e os administrados ficaram sem saber onde se dirigir para tratar de múltiplos assuntos. Pode dizer-se que a remodelação que ontem se concretizou radica na constatação do fracasso do modelo anterior. Mas alterar pastas de novo também gera gastos e novas perdas de orientação para os cidadãos.

Pode dizer-se que o que se pretendia não foi conseguido e que com esse aventureirismo organizacional o País foi muito prejudicado. Quanto à nova orgânica e à sua capacidade para assegurar a governação e a articulação entre os partidos da maioria, muitas dúvidas se levantam. Na verdade, o poder do CDS-PP sai reforçado na coligação. Tratou-se de uma verdadeira OPA daquele partido sobre o PSD. Quais as consequências que esta inversão de poderes relativos determinará, só o tempo o dirá. Por outro lado, quem vai ficar com a diplomacia económica e a tutela da AICEP?

O novo Vice-Primeiro-Ministro ou o novo Ministro dos Negócios Estrangeiros? Será que este aceita uma diminuição de poder face ao seu antecessor? Mas mais! Como será a articulação entre o novo Vice-Primeiro-Ministro, com competências para a relação com a Troika, e a Ministra das Finanças, cuja orientação de política levou aquele a apresentar o seu pedido de demissão com estrondo? Finalmente, que força tem a Ministra das Finanças depois da fragilização que o enredo do seu comportamento com as swaps determinou?

Algumas destas dúvidas poderão vir a ser esclarecidas pela nova Lei Orgânica. Mas outras, todas as que decorrem da relação humana e política, essas, só o tempo permitirá esclarecer.

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