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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Março de 2011 às 00:30

Reunimos elementos acerca da reabilitação urbana e verificámos que se construiu de mais! Há um milhão de casas à venda e sem comprador à vista. Metade é nova, a estrear, e a outra metade encontra-se em estado razoável.

Reabilitando 900 000 casas, que se encontram ou vão ficar devolutas por processos expeditos já anunciados, fácil é fazer as contas e verificar que o superavit de casas vazias vai quase dobrar: de um milhão passará para um milhão e novecentas mil. O mercado está saturado!

Numa recente operação promovida pela sociedade estatal de reabilitação urbana Porto Vivo, para alienação de 9 apartamentos e uma loja, não apareceu o primeiro interessado para essas unidades… cujo preço para um T1 era de 180 000 euros.

Vai-se continuar a reabilitar para a prateleira? Para que os proprietários conservem e mantenham os seus imóveis, convenhamos que uma renda de casa mensal à volta de 60 euros, em média, pouca coisa permite reabilitar e, com o recurso a fundos europeus, nomeadamente do Banco Europeu de Investimento, alguém vai ter de os pagar.

Muito dificilmente os proprietários locadores poderão deslocar verbas de outros rendimentos para manter o status quo residencial existente nos prédios a recuperar. No fundo, os grandes beneficiários com a reabilitação são os inquilinos que se mantêm nas habitações; é justo que os utilizadores comparticipem na recuperação do tecto em que se abrigam.

A reabilitação, até por ser feita peça a peça, com respeito pela memória do local, e não em série, obviamente necessita de mais mão-de-obra qualificada, preferencialmente nacional.

É pois um excelente veículo para a dignificação das artes e dos ofícios ligados à construção, permitindo o prazer de fazer bem e imprimindo confiança no futuro.

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