Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
3
12 de Dezembro de 2004 às 00:00
Miragem. A retoma em 2004 não passou de uma breve miragem, uma esperança que desapareceu na ressaca do campeonato europeu de futebol e ainda não regressou, nem sequer numa manhã de nevoeiro. O Instituto Nacional de Estatística confirmou que no terceiro trimestre se verificou um decréscimo do PIB de 1,2 por cento face ao período entre Abril e Junho. Nos últimos três meses do ano há ainda a possibilidade de a economia portuguesa voltar a entrar em recessão técnica. E não há previsões de uma verdadeira retoma sólida e sustentada para os próximos tempos. A instabilidade política não ajuda, o euro forte favorece as importações e complica a vida ao tecido produtivo, que também vê fechadas as portas dos mercados externos. Como se não bastasse a incapacidade política e a inépcia empresarial dominante, as notícias que chegam do principal activo português, os recursos humanos, também não são animadoras. Portugal está na cauda da Europa dos índices de produtividade e a qualificação dos trabalhadores portugueses é inferior a alguns dos novos membros da União Europeia, como a Polónia, República Checa ou Hungria, os mercados que nos próximos anos mais disputarão investimentos estratégicos a Portugal. E não há razões para acreditar que no futuro haja melhorias significativas. Os dados da OCDE sobre a Educação colocam os nossos alunos na cauda europeia em conhecimentos de Matemática e em Cultura Científica.
Desqualificados. A qualificação dos recursos humanos é a única via de a economia portuguesa poder ser competitiva e por essa via beneficiarmos de algum bem-estar. Só que é impossível haver uma boa qualidade de recursos humanos com o panorama de fobia e de ignorância matemáticas existentes neste País. Se este quadro não mudar, os jovens portugueses já nem sequer têm o escape tradicional dos portugueses nas décadas de 60 e 70 do século passado que encontravam os empregos que mais ninguém queria na Alemanha, França ou Suíça. Agora até para esses lugares a concorrência é feroz, com milhões de deserdados do Leste, da Ásia ou de África, dispostos a executar essas tarefas a um preço muito mais baixo que qualquer lusitano. A única opção é apostar a sério na educação e qualificação. Se o País mobilizou recursos para estar no top internacional de uma actividade tão competitiva como o futebol, deveria também ambicionar a um ensino de excelência e ter algumas escolas e universidades que lutassem por um título mundial. Esse jogo é que valia a pena.
Durão Vs Barroso. Bruxelas impediu a EDP de controlar a Gás de Portugal. Visto o assunto do ponto de vista exclusivo do mercado português, o veto é lógico e defende a concorrência. Mas quando entrar em funcionamento o mercado ibérico de energia, o que poderá suceder dentro de três ou quatro anos, a fusão gás-electricidade é defensável, uma vez que é importante que permaneça com centro de decisão em Portugal um dos três grandes operadores ibéricos, com capacidade para competir com os outros gigantes espanhóis. Curioso foi que uma iniciativa aprovada no Governo de Durão Barroso, ter sido vetada pela comissão de José Manuel Barroso.
Ver comentários