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Maria de Belém Roseira

Resultados e Resultados

É muito interessante verificar como os números, que constituem realidades objetivas e certas, são cada vez mais interpretados ao sabor do que se pretende demonstrar, no espaço político ou do comentário político.

Maria de Belém Roseira 5 de Outubro de 2013 às 01:00

Vem isto a propósito das eleições autárquicas de domingo passado, em que o Partido Socialista obteve não só a sua maior vitória de sempre em termos de presidências de câmara conquistadas – 150 – como ainda o maior número de câmaras alguma vez conquistado por um só partido.

Para além disso, obteve o maior número de votos e o maior número de mandatos.

Quanto ao maior número de votos, depois de passado o choque produzido pela "hecatombe" sofrida pelo PSD – adjetivo usado em títulos de jornal ou por comentadores – logo vieram alguns tentar menorizar a vitória, invocando o menor número de votantes em 2013 que em eleições anteriores e o preocupante e crescente nível da abstenção, pretendendo daí retirar leituras políticas negativas.

Ora, se atentarmos nos níveis de abstenção que se verificaram logo no primeiro ato eleitoral autárquico – 12 de Dezembro de 1976 – em pleno fervor de reconquista da liberdade plena do direito de voto, o seu valor foi já de 35,34%. A partir daí, foi sempre oscilando entre os quase 30 e os quase 40%, sendo que em 11 de Outubro de 2009, ato em que o PSD ganhou as eleições e ninguém lhe retirou a vitória – 132 câmaras – o nível de abstenção foi já de 40,99%.

Para além de todas as dificuldades de "limpeza" dos cadernos eleitorais, o que nós sabemos é que o desemprego em Portugal conjugado com o apelo governamental à emigração fizeram sair do país mais de duzentas mil pessoas, de acordo com os dados do INE, o que os ditos cadernos eleitorais não podem reflectir.

Dito isto, não haverá nada de preocupante no fenómeno da abstenção ou no dos votos nulos e brancos? Claro que há e devemos tentar percebê-lo melhor, pois, como dizia Maria de Lurdes Pintasilgo, não há limites para o aprofundamento da democracia.

Agora, tentar menorizar o que é uma vitória importante, nunca alcançada por nenhum outro partido político em Portugal, é uma distorção que a racionalidade não pode tolerar.

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