Revisitar Junqueiro

Revisitar Junqueiro

Bragança entrou anteontem na rota das localidades que já puderam visionar o documentário ‘Nome de Guerra, A viagem de Junqueiro’, realizado por Henrique Manuel Pereira, com produção da Escola das Artes da Católica do Porto.
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14.01.12
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Revisitar Junqueiro
Foto DR

O filme integra-se no projecto mais amplo denominado Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro, do qual resultaram inúmeras iniciativas e a produção dos mais diversos materiais.

Nem a noite mais fria do ano impediu muitos brigantinos de assistirem à projecção do filme sobre o poeta transmontano e, assim, conhecerem um pouco melhor não só o Poeta, mas também o Agricultor, o Coleccionador, o Político e o Homem de Ciência.

Já há alguns anos que Henrique Manuel Pereira estuda a vida, a obra e o pensamento de Guerra Junqueiro e se esforça por colher a genialidade de um Homem a que só se acede se não nos deixarmos intimidar pelos epítetos que acumulou, como o de inimigo da Igreja, regicida, mesquinho e vingativo. Ao longo de uma hora e meia de documentário, o realizador ajuda-nos a quebrar a crosta do preconceito que envolve Guerra Junqueiro e revela-nos o transmontano que viveu na transição do século XIX para o século XX, que acompanhou a evolução da Monarquia para a República e adquiriu um considerável reconhecimento internacional. Conduz-nos ao âmago da sua personalidade e revela a sua verdadeira estatura intelectual, humana e artística. Não esconde a falta de gosto ou os excessos do poeta, que o próprio reconheceu e atribuiu a factores como a imaturidade, mas sublinha a qualidade de um poeta que, em inúmeras passagens da sua obra, o colocam ao nível dos maiores de todos os tempos da poesia nacional e internacional.

Além de revelar Junqueiro, o documentário dá-nos a conhecer imagens e documentos sepultados na poeira dos tempos, como as filmagens do funeral, que se pensavam perdidas. Uma pesquisa rápida na Internet demonstra que muitos estão a redescobrir a actualidade das palavras de Junqueiro. São vários os blogues que recuperam as palavras do Poeta escritas na Pátria (1896): "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, (...) um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional."

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