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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Outubro de 2004 às 00:00
Hoje à noite arranca a já célebre ‘Quinta das Celebridades’. É um exemplo interessante da aplicação correcta de uma política de marketing. Um programa de televisão não vence apenas por reunir as melhores ideias e os mais competentes profissionais. Se não ocorrer uma boa estratégia de promoção, pode dar-se um autêntico flop de audiências, com consequências imprevisíveis.
A ‘Quinta das Celebridades’, independentemente dos resultados que vier a obter (amanhã já se saberá como foi o primeiro dia do ‘rurality show’) já condicionou a opinião pública em Portugal. Nunca um programa, antes de nascer, fez correr tanta tinta no nosso País, nem criou tantas expectativas.
É claro que, agora, a parada cresceu quase desmesuradamente para José Eduardo Moniz. O conselho de administração da TVI aplaudirá, naturalmente, um bom resultado a nível de audiências, mas o homem forte da estação de Queluz de Baixo ficará pouco confortável se registar aqui um novo fracasso.
Curiosamente, toda esta agitação quase paranóica à volta da ‘Quinta das Celebridades’ acontece em vésperas do 12.º aniversário da SIC, que iniciou as suas emissões no dia 6 do já distante ano de 1992. Foi, então, para os conservadores costumes audiovisuais portugueses, uma autêntica ‘Revolução de Outubro’. Pinto Balsemão, o ‘pai’ da SIC, deu um contributo inestimável para a modernidade do País com o lançamento da estação. De facto, o sucesso imparável dos primeiros anos resulta de uma estratégia de programação que ofereceu alguma emancipação aos telespectadores.
O lançamento, em canal aberto, de programas como ‘Playboy’, contribuiu, por exemplo, para uma revolução nos hábitos sexuais dos portugueses, assim como existiu uma evolução tremenda na liberdade de informação – com o aparecimento, entre outros, de programas notáveis como ‘Praça Pública’, que introduziram, de forma inédita, a participação ‘directa’ do telespectador na construção da notícia.
Portugal mudou muito desde 1992. Tanto que, hoje, é com uma enorme expectativa que se vai assistir ao arranque de um programa em que uma dúzia de vedetas deste pequeno País se vai sujeitar a uma estadia prolongada numa quinta, entre porcos e galinhas, desnudando-se de todas as máscaras que a prudência social recomendaria. Lá dizia o refrão da música do outro ‘reality show’: “Tudo pode acontecer, tu mais tarde irás saber…”
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