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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Junho de 2008 às 09:00

A esquerda está de novo unida e bem unida neste sítio cada vez mais mal frequentado. Como é natural, pelos piores motivos. Não é de estranhar que o senhor presidente do Conselho, José Sócrates, ache muito bem a chamada taxa Robin dos Bosques sobre as lucros das empresas petrolíferas. A justificação é tão velha quanto o socialismo e os pobres são sempre invocados em vão pelos senhores e senhoras que adoram o Estado em tudo e mais alguma coisa. O Estado omnipresente nos negócios, por causa das chorudas comissões e dos habituais lugares de recuo, na economia, na lógica do também velho planeamento soviético, na saúde, com serviços medíocres exactamente para os mais desfavorecidos, na educação, miserável a todos os níveis, na cultura, sempre à espera dos subsídios de favor com uma mão atrás e outra à frente, e até no desporto, para as massas terem algo com que se entreter no meio de uma vidinha cada vez mais desgraçada.

É natural, assim, que o senhor presidente do Conselho veja com bons olhos a taxa Robin dos Bosques. E é mais natural ainda que o Bloco de Esquerda do Torquemada Anacleto Louçã aplauda a referida taxa. E seria antinatural que o Partido Comunista de Jerónimo de Sousa não viesse a terreiro aplaudir mais um imposto sobre os lucros das petrolíferas. Todos unidos, todos de acordo, finalmente. Por uma vez todos falam verdade. Sócrates, Louçã e Jerónimo de Sousa não suportam a economia de mercado, a concorrência e a liberdade da sociedade civil e dos cidadãos. O Estado monstruoso, corrupto, gastador, insaciável está-lhes na massa do sangue.

No meio desta união de esquerda em torno do Estado e de mais um imposto sobre as empresas resta saber o que pensa da matéria o PSD de Manuela Ferreira Leite e o CDS de Paulo Portas. É óbvio que o chamado centro-direita e a direita indígenas têm muito medo da esquerda e dos cidadãos que há muitos anos se habituaram a viver num sítio pobre, medíocre, com má qualidade de vida, mas sempre protegidos por um Estado tirano que os acompanha mal e porcamente do nascimento até à morte.

No meio desta crise económica, social e política, que não é da exclusiva responsabilidade do aumento dos preços do petróleo e dos produtos alimentares, interessa, de uma vez por todas, saber, preto no branco, quem é afinal o defensor acérrimo do Estado ladrão e quem tem a coragem de dizer basta a este despautério que está a levar o sítio para a miséria.

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