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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Maio de 2012 às 01:00

Por alguma razão o programa acabou na TVI 24. A última emissão mostrou o modelo esgotado. ‘Futrebol’ era entretenimento cómico com justo êxito num canal privado, mas Futre não acrescentaria mais-valia para conteúdos de serviço público. A RTP quis a personagem populista por ter audiências: é de novo o modelo Andrade, pai Luís e filho Hugo, em direcções de programas nos séculos XX e XXI.

O preço a pagar pela RTP a Futre insultaria desempregados e contribuintes, como os que viram salários diminuídos pelo mesmo Estado que se propunha pagar mais de 600 euros por dia a um entertainer ali desnecessário. O ministro da tutela, Miguel Relvas, interveio para impedir o negócio. Fez mal, porque não pode nem tem de intervir nos conteúdos da RTP. Mas a consequência, aqui sem contornos políticos, ao contrário das intervenções políticas de Relvas nos casos Prós & Prós angolano e censura a Pedro Rosa Mendes, impediu mais um assalto aos nossos bolsos.

O caso Futre é a ponta do icebergue. Não há plano para pôr a casa em ordem, para aplicar os recursos dos contribuintes na criação de conteúdos com verdadeiro interesse público, alternativos aos privados. Lançam-se projectos desajustados das necessidades de serviço público, como a ‘Academia’ RTP, fantasia portuense do portuense presidente da RTP, Guilherme Costa, iniciativa que faz concorrência às universidades e serve primordialmente para pagar ajudas de custo e deslocações aos funcionários de topo de Lisboa que lá vão. Um anterior administrador pretendeu auditar as contas da ‘Academia’, que entram a custos em Lisboa e não à dita, e Costa travou a auditoria. Hipocritamente, a administração aparece a lançar uma RTP+, cópia da SIC Esperança, enquanto pede excepção de baixa dos seus próprios salários, para receber várias vezes mais que o primeiro-ministro e o Presidente da República.

O Governo deixa o dinossauro RTP dormir em cima dos nossos impostos. Passos vai deixando que tudo fique na mesma. Já vimos este filme no passado: os governos entram com ganas de domar a fera gastadora, mas, como a fera serve para a sua propaganda, acaba por ser a fera a domar o suposto domador. É por isso que este modelo de serviço público não serve: não teve solução nas legislaturas anteriores e vai pelo mesmo caminho, conforme avisou o Relatório do Grupo de Trabalho para o Serviço Público, que o ministro escorraçou enquanto esfregava um olho.

A VER VAMOS

ENQUANTO O PAU VAI E VEM, FOLGAM OS JORNALISTAS

A Informação da RTP tem vivido um autêntico 25 de Abril. Após a mão de ferro do Governo anterior, que o actual "director-geral" elogiava acerrimamente, o mesmo figurão ainda não conseguiu colocar a informação ao serviço do actual Governo, apesar de colocado no lugar pelo ministro Relvas. Assim, os jornalistas da RTP beneficiam do interregno: enquanto o pau vai e vem, folgam em liberdade. Os episódios Prós & Prós em Luanda e o afastamento de Rosa Mendes da RDP por criticar esse programa infame não abalaram o ambiente, mas o caso de anteontem das pressões sobre o ‘Público’ mostram como Relvas funciona. O meu conselho aos jornalistas da RTP: aproveitem, que não se sabe quanto durará este vosso novo 25 de Abril. 

JÁ AGORA

AGRADO SEM RESERVAS

O programa ‘No Reservations’, de Anthony Bourdain (SICR), sobressai na TV actual. Críticas à emissão sobre Lisboa foram injustas, porque é uma visão pessoal. Bourdain não cozinha, vai às terras conhecer quem sabe cozinhar. Mostra o sítio e inscreve nele a gastronomia. Às vezes é egocêntrico, mas perdoa--se-lhe, porque tem cultura e graça. Faz TV interessante e entretém.

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