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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Outubro de 2004 às 00:00
Era a felicidade completa, com um senão. Ao terceiro dia, pediu à Sharon para ela se vestir de marinheiro. Esta estranhou, mas fê-lo. Aí, o nosso portuga piscou o olho ao ‘marinheiro’, e disse-lhe em tom de grande segredo: “Sabes com quem ando a dormir?”...
Esta anedota repousa nesta verdade universal: de que vale a nossa felicidade se ninguém mais sabe dela? Universal, sim. É o drama que vive a Califórnia, o mais rico e populoso estado americano. E mais influente politicamente: só os seus votantes têm o dobro da população portuguesa. No colégio eleitoral é, de longe, o estado que tem direito a mais votos: 55 (o seguinte, o Texas, só tem 34).
Mas de que lhe vale tanto poder nos dias de hoje? Nesta campanha, Bush só cá veio uma vez e John Kerry, um par de vezes. No princípio do ano, quando concorria às primárias e precisava de se impor aos outros candidatos democratas, Kerry veio 28 vezes. A razão da actual ausência dos dois protagonistas do filme das presidenciais é que o estado capital do cinema conta nestas eleições, mas sem suspense.
O fim do filme conhece-se: os 54 votos já estão todos adjudicados a Kerry. As sondagens dão-no acima de 50 por cento, enquanto Bush está abaixo de 40. Caso arrumado, ninguém vai à Califórnia falar para o boneco.
Nenhum dos 34 concertos de Bruce Springsteen, feroz apoiante de Kerry, foi programado para Califórnia. No dia 2 à noite, quando a América estiver suspensa dos votos do Ohio, Pensilvânia e Florida, os californianos vão andar à procura de um marinheiro a quem contar o seu poder de que ninguém sabe.
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