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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Junho de 2010 às 00:30

O Governo económico da Europa é só o que reclama agora a Comissão. É extraordinário quando se olha para a Europa e para o resultado das suas políticas. E claro que a situação frágil em que se encontram os Estados da União é terreno fértil para que a Comissão revele agora novos intentos: governar economicamente a Europa.

O difícil é encontrar alguém que acredite num Governo económico Europeu justo, equitativo, eficaz e sujeito ao escrutínio das populações, sendo certo que os Estados Euro já não têm políticas cambial e monetária e a coisa não está a correr propriamente bem.

Entre nós, o Primeiro--ministro tem razões para acreditar e desejar ardentemente que a Comissão governe economicamente a Europa, em particular Portugal. Sempre serve de desculpa e alija responsabilidades, para não falar em total desresponsabilização. O Primeiro-ministro pode acreditar no reclamado governo económico europeu como hipótese de salvação.

Curiosamente, a Comissão está sediada na capital de um país ele próprio em aparente desconstrução. Mesmo para os mais cépticos como eu, ele há sinais que nos abanam: Bruxelas, feita capital da União, sede da Comissão, é também a capital de um país cuja unidade está posta em causa. E coincidência ou não, a verdade é que a própria Europa se divide entre as políticas de incentivo à economia com aumento da despesa proposto por Sarkozy e a redução da despesa proposta por Merkel.

Bruxelas está, aliás, florentina. O Comissário para os Assuntos Económicos já parece ter interiorizado que há "verdades que não se dizem" e adoptou um discurso tão interessante quanto trágico: agora todas as medidas apresentadas pelos países são consistentes e adequadas... mas são sempre precisas mais. O elogio vem sempre acompanhado de novas exigências. Compreende-se. Já chega de alarme social e o factor psicológico, na Economia, como comanda...

O problema da Europa não é só económico – o que em si já tem gravidade suficiente para disparar o alarme máximo – mas é também absolutamente político. Se todas as instituições comunitárias tivessem legitimidade política própria, as coisas seriam certamente diferentes e ainda aí com cautela.

Mas não, o Tratado de Lisboa cimentou uma Europa burocrática, contra a vontade dos cidadãos que se puderam exprimir ou alcançado sob ameaça de sanções. Apregoaram-lhe todas as virtudes que não se lhe conhecem. Que mais querem os seus fautores?

 

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