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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Santarém

O que está em causa é a denúncia ter a cegueira dos fanatismos e albergar no mesmo saco quem errou e quem trabalha.

Francisco Moita Flores 17 de Julho de 2006 às 17:00
Há quase duas décadas que escrevo regularmente em jornais nacionais e nunca assinei uma coluna sobre qualquer assunto com o qual pudesse estar directa ou indirectamente envolvido. Mesmo quando era apetecível, como foi o ano passado, e pela primeira vez me envolvi numa campanha eleitoral onde era parte interessada.
Sempre resisti a confundir o interesse pessoal com o interesse público e, por via do respeito que merece quem abre as páginas de um jornal, olhei o mundo e os acontecimentos que apreciei, umas vezes criticando asperamente, outras vezes fazendo o mais difícil que é elogiar, com a distância e a tranquilidade de quem nada espera em troca.
Pela primeira vez tomo a ousadia de assumir posição em querela que me interessa e que tem a ver com a forma como a pretexto de meia dúzia de casos de desonestidade política, cívica e até de corrupção, o poder autárquico é sujeito às generalizações mais absurdas, aos insultos mais grosseiros, aos juízos mais dementes sem conhecimento, sem sensibilidade, sem respeito para quem se encontra em primeiro lugar com os problemas mais instantes de um País subdesenvolvido, pobre e analfabeto.
É evidente que o poder autárquico não é o poço absoluto das virtudes. Não é a sede de onde brota o poder divino que garante a salvação das almas. É feito por homens e mulheres que saíram vencedores de eleições democráticas e, não é novidade para ninguém, que em vários casos essas vitórias deram origem à produção de caciques, de clientelismos, de servidões, de alianças tenebrosas de interesses entre poderes instalados e empreiteiros, que algumas dezenas dos milhares de autarcas eleitos ao longo destes 30 anos desonraram os seus compromissos cívicos e políticos e deveriam estar a apodrecer na prisão. Porém, não é o direito de denunciar casos de porcaria que está em causa. O que está em causa é a denúncia ter a cegueira dos fanatismos e albergar no mesmo saco quem errou e quem trabalha, dando o melhor de si, para servir gentes desprovidas de quase tudo.
Sou presidente de câmara há oito meses e herdei uma cidade magoada, um concelho deprimido e pobre que espera tudo quando tão pouco se lhe pode dar. Tem sido a mais exaltante e sacrificada das experiências que já vivi, sem horários, sem tempo para fins-de-semana, sem tempo para a família e para o prazer. Mas dando tudo, inventando soluções que a míngua obriga ao engenho, empenhado em dar mais uma pedaço de felicidade a quem pouco ou nada tem. Conheci neste pouco tempo de vida política vários presidentes, sobretudo da Lezíria do Tejo. E vejo-os envolvidos na mesma paixão, destemidos, dedicados, entregues ao serviço dos seus sem preconceito nem ideia prévia. E depois de tantos dias e tantas noites de esforço, com limpidez na alma e nos propósitos, sentindo a vertigem de servir dos meus vizinhos, não posso deixar de assinar a minha indignação e revolta quando certa Imprensa superficial e preconceituosa coloca no saco do lixo quem não presta e quem vive inteiro e honrado na sua obrigação de servir. Porque, como diz o povo, quem não se sente não é filho de boa gente.
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