Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
2
4 de Março de 2011 às 00:30

Para o bem e para o mal, a senhora Merkel manda na Europa e nos seus destinos. É natural. Quem paga manda. Principalmente nos países que gastam o que não têm, endividam-se até aos cabelos para manter níveis de vida insuportáveis, fazem toda a sorte de truques para mascarar as desgraçadas contas públicas e, ainda por cima, têm economias débeis, incapazes de pagar as dívidas passadas, presentes e futuras. Como Portugal.

O debate sobre esta viagem a Berlim teve duas fases. Na primeira, politólogos, comentadores, analistas e outros especialistas nesta como em muitas outras matérias discutiram com ardor se o primeiro-ministro tinha sido convidado, intimado, convocado ou se ia pura e simplesmente a despacho da chanceler alemã. Como é normal numa matéria tão delicada, não se chegou a nenhuma conclusão brilhante, mas os portugueses, obviamente, perceberam muito bem que o chefe do Governo não tinha outro remédio.

Como acontece com um pobre director-geral quando é chamado ao gabinete do seu secretário de Estado para prestar contas das suas actividades. Na segunda foi melhor ainda. Economistas, adeptos e opositores do Governo, tradutores de alemão e outras luminárias da Pátria fartaram-se de analisar as palavras da senhora Merkel. E só por milagre as coisas não chegaram a vias de facto. Graças a Deus, que para violências já bastam as da Líbia. Depois de muitas horas de profundos debates, neurónios a ferver de tanto trabalho, três jornais nacionais decidiram informar os seus leitores não só do conteúdo do encontro de pouco mais de quarenta minutos como do que se passou na conferência de imprensa. Para se perceber bem o sentido dado por tão ilustres mensageiros, basta ler os títulos que apareceram nas primeiras páginas, com maior ou menor destaque. Um garante que "Angela Merkel e Sócrates afastam fantasma do FMI". Outro, o mais pequenino, não tem dúvidas em afirmar que "Merkel diz que Portugal está no muito bom caminho mas não garante ajuda". O do meio é mais extraordinário e dá a palavra à senhora Merkel: "Nunca disse que Portugal precisava de pedir ajuda externa."

Como se vê, os portugueses ficaram mesmo bem informados sobre esta histórica missão a Berlim. Felizmente que houve quem dissesse, como o CM, que Merkel recusa intervir para baixar juros. Ou seja, o essencial. O resto são fretes, senhores.

Ver comentários