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Correio da Manhã

Opinião
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F. Falcão-Machado

Scrooge e o Natal

Recentemente, ao receber o Prémio Nobel da Paz, o presidente Obama fez uma inesperada alusão ao problema do Mal. Tal alusão inseria-se num contexto político preciso, mas não deixou de ter uma conexão filosófica que faz sentido evocar nos dias de Natal.

F. Falcão-Machado 24 de Dezembro de 2009 às 00:30

Nesta quadra festiva é muito citado o célebre conto de Charles Dickens ‘A Christmas Carol’ que, há muitos anos, os nossos pais nos davam a ler na boa esperança de que, seduzidos pela beleza do texto, aperfeiçoássemos o nosso incipiente domínio da língua inglesa. Nesse conto impera a sombria personagem de Scrooge, um avarento rico mas amargo que, apavorado por vários fantasmas numa noite de Natal, acaba por reconhecer a sua miséria existencial e opta por se transformar num ser de coração bondoso. Isto é, o Bem triunfa sobre o Mal.

O conto faz jus aos valores da sociedade do tempo de Dickens, os quais pressupunham que eram as más experiências e as situações extremas que tornavam más pessoas que nasciam naturalmente boas. Aplica-se a correcção política implícita na dialéctica do conto à realidade dos nossos dias? O aviso de Barack Obama teve, entre outros, o mérito de nos recordar que, se existe de facto o Mal, as pessoas, no fundo, nunca deixam de ser boas. O verdadeiro Mal não é um produto de vivências, mas algo que possui essência própria. Sempre gostei do Scrooge.

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