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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Março de 2008 às 00:30
As eleições presidenciais russas são diferentes. Quando, há muitos meses, Putin anunciou o apoio a Dmitry Medvedev, ficou a saber-se, com precisão, quem seria o vencedor.
Não se discute aqui a liberdade de voto, a genuína popularidade de Putin, a abundância de meios de informação ou a existência de outros candidatos (aliás todos fracos ou folclóricos). Não se diz que Medvedev – um jovem tecnocrata de 42 anos, oriundo da antiga Leninegrado (S. Petesburgo) – vai roubar o resultado e promover uma chapelada. Os seus 60 a 80 por cento de votos serão verdadeiros. Farão uma Rússia optimista ainda mais confiante de si. Mas por trás da criatura Medvedev, presidente anunciado e antigo primeiro-ministro, estará o criador Putin, anunciado primeiro-ministro e antigo presidente. Num sistema presidencialista como o russo, Putin deveria passar a ser a segunda figura política do Estado, em termos de posse de poder. Mas há poucas dúvidas de que continuará a ser a primeira.
Só que a criatura pode entusiasmar-se, face ao criador. Já aconteceu. Pode, por exemplo, levar até às últimas consequências o processo de liberalização económica e acabar com a fase ambígua do capitalismo russo. Depois do capitalismo selvagem de Ieltsin e do capitalismo de Estado de Putin, chegaremos a um ‘capitalismo de sociedade’ pleno? E será isso bom, sobretudo para os vencidos da vida?
HOLOCAUSTO 2
Em Gaza e em Telavive volta a falar-se de guerra. Em Ziqim, Karmiya, Ashkelon, no Negev ocidental, na zona industrial de Erez, nas praias e portos da Palestina, os boatos são de ‘Libanização’ do conflito e de batalha ‘final’. Como quando Israel se empenhou numa campanha fronteiriça com o Hezbollah, por causa dos foguetões lançados sobre o Norte do país, teríamos agora um conflito tão mortífero, desmoralizante e, em última análise, inútil para todos. Mais uma vez o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? Os milhares de projécteis lançados sobre a pacata cidadezinha israelita de Sderot ou os ataques da aviação israelita aos paióis de Gaza que destroem culpados e inocentes? O vice-ministro da Defesa de Israel, general-historiador Matan Vilnai, disse uma coisa grave, que passou em claro: prometeu aos atacantes de Gaza um “holocausto” maior. Sabendo-se o (des)valor simbólico daquela palavra em Israel, teme-se o pior. Mesmo que não venha.
A FORÇA DA EUROPA
Antes ia-se aos EUA comprar maravilhas técnicas. Agora, os centros comerciais americanos empalidecem, face às lojas da Europa, e o dólar continua a afundar-se.
No meio da tempestade, a europeíssima Airbus/EADS ganhou um contrato bilionário para fornecer a frota de futuros aviões – cisterna das forças armadas… americanas. O grande derrotado foi a Boeing. O concurso foi limpo e a proposta europeia parece superior, em todos os campos.
Em Washington, há quem se torça de dores. Mas não é este o berço da livre empresa?
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