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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Junho de 2003 às 00:00
1. O facto mais importante da última jornada foi ter gerado uma Superliga, a próxima, sem equipas a sul do Tejo. Nem uma. O Portimonense ainda sonhou, durante largos minutos, com um golo do Rio Ave, mas no final acabou a ver a festa do Estrela. Como o V. Setúbal já tinha descido, o sul virou um deserto futebolístico. O mais parecido passa a ser o Belenenses. Em 69 anos nunca tal tinha sucedido.
2. Na despedida confirmou-se que Luís Campos é o treinador mais infeliz do ano. Desce com o Varzim, chora também a despromoção do V. Setúbal, que ajudou a nascer no início da temporada. Não será inédito, mas acontece uma vez na vida de um treinador. Mais preocupante só a insólita vocação para ser expulso do banco. Enfim, nem tudo é mau, resta a consolação de que para o ano pior é impossível.
3. A última jornada confirmou também um vaticínio fácil: uma equipa que tinha Ricardo Sousa e Fary não podia descer de divisão. E não desceu. Há jogadores que só são grandes nos clubes pequenos e pode ser esse o caso de Fary, mas mesmo assim talvez valesse a pena algum clube um pouco maior experimentar. Lembram-se de Vata?
4. Por falar em jogadores que marcam, Afonso Martins deu a Manuel Machado a melhor prenda, o golo da tranquilidade do Moreirense. O esquerdino respira a calma dos que sabem o que fazem. Só alguém assim, quase impassível, aguentaria o que ele aguentou em Alvalade.
5. No Jamor, três golos de Fehér. Mas ninguém quer saber. No Benfica só há uma notícia: os jantares de Luís Filipe Vieira. Aqueles em que é "surpreendido" com Camacho e os outros, feitos para todos verem. De uns e de outros por enquanto só saem dúvidas e enigmas. Camacho parece que já disse o que quer e, diz o presidente da SAD, não quer nada de extraordinário. Depois de Vieira ter explicado que o espanhol não é mercenário terminaram as dúvidas, o treinador só quer três ou quatro jogadores que devolvam aos adeptos a ilusão de que na Luz se luta pelo título pelo menos até à primavera. No fundo, Camacho nem pede que o Benfica seja um dos maiores do mundo, deseja apenas que lhe garantam que um dia poderá voltar a ganhar em Portugal. Luís Filipe Vieira só espera que tudo isto acabe depressa. E bem. Gerir este tipo de situações não é, definitivamente, um dos méritos do dirigente "encarnado".
6. Em jeito de balanço, os melhores da Superliga. Mourinho (porque sim), Deco (pois…), Tiago, Simão, Silas, Costinha e Derlei, Quaresma (apesar daquele Sporting), aquele golo de Paulo Assunção, aquele outro golo de Pedro Mendes e o árbitro Pedro Henriques.
7. Em rodapé, os piores. Jardel (nem é preciso explicar porquê), o Sporting, o Boavista, um ou dois árbitros e meia dúzia de decisões da Comissão Disciplinar. E os dirigentes que não conseguem pagar os salários que prometem. E o facto de ter terminado. Apesar dos defeitos da Superliga, não é fácil viver dois meses sem ela.
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