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Correio da Manhã

Opinião
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Acácio Pereira

Sem rasgo nem palavra

Na Europa em geral, e em Portugal em particular, as instituições vivem uma séria crise de liderança.

Acácio Pereira 6 de Novembro de 2012 às 01:00

Impera o ruído, a conversa vã e de circunstância. Não se sabe quem manda, se os eleitos ou os designados. Perdeu-se o respeito pelo compromisso, que passou a ter o mesmo valor que um boato. A sociedade está descrente – e com razão. Longe vai o tempo em que a palavra dada por um governante era para cumprir. Hoje é preciso dar o desconto: quando se ouve "sim", é talvez; e quando se ouve "talvez", é não. Os cidadãos descrêem porque vêem falhar duas coisas chave para uma sociedade saudável, qualificada e produtiva: o compromisso e a motivação.

As instituições precisam de lideranças que saibam ouvir e, acima de tudo, decidir no tempo certo com pragmatismo, sem ceder a pressões. E precisam de líderes com paixão, capazes de motivar as pessoas. Ou estaremos perante empurradores de tarefas, burocratas que gerem o dia-a-dia, sem projecto e sem capacidade para galvanizar ninguém. Esta é a crise que vivemos. Burocratas em vez de líderes. Gente sem rasgo e sem palavra.

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