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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Janeiro de 2012 às 01:00

Na imprensa deste fim-de-semana surgiram prosas em que pessoas alegadamente próximas do Presidente da República desferiram críticas ao Primeiro--ministro e ao Ministro das Finanças. A intenção era a de mostrar que o Presidente se opõe ao essencial das políticas do Governo. Sejam quais forem os alegados inspiradores daquelas prosas, uma coisa é certa – essas críticas são um mau serviço ao País, são injustas para o Governo e são prejudiciais à imagem do Presidente da República.

Primeiro, são um mau serviço ao País. Voltar ao tempo dos conflitos institucionais é das piores coisas que nos podem acontecer. A ideia de que Presidente e Governo estão em conflito agrava o clima de desconfiança, reforça o ambiente de insegurança, torna mais difícil construir uma ideia de esperança. Se os sacrifícios são duros, só há uma forma de aliviar o seu peso na vida das pessoas – é criando a expectativa de que eles nos vão levar a bom porto. O que se faz com solidariedade institucional, nunca com clivagem entre órgãos de soberania.

Segundo, aquelas críticas são injustas para o Governo. Há duas coisas que são óbvias – este Governo não é responsável pela situação de pré-bancarrota a que chegámos nem foi o negociador do acordo com a troika. Pelo contrário, herdou uma situação excepcional, a mais grave desde o 25 de Abril, e tem governado com grande coragem. Seguramente que tem cometido erros e eu próprio o tenho referido. Mas não haja uma dúvida – a linha política que tem seguido está correcta, o Primeiro--ministro tem liderado com autoridade e o Ministro das Finanças é um referencial de credibilidade. Um Governo assim merece ser ajudado e não desamparado.

Finalmente, estas críticas prejudicam a imagem do Presidente da República. Sempre que o Chefe de Estado deixa de ser árbitro da vida nacional e passa a ser visto como contrapoder ou oposição aos governos perde autoridade, diminui prestígio e reduz a sua eficácia de intervenção.

Eu sei que o Presidente sabe tudo isto e não se tem deixado levar por estes cantos de sereia. Difícil é compreender os propósitos de alguns seus alegados porta-vozes. Mas ser mais papista que o Papa nunca foi um acto de grande inteligência.

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