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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Não canto esse fado. Só guardo saudades das longas noites eleitorais, em que a transmissão do canal único durava até às quatro ou cinco da manhã, e mesmo então o desfecho permanecia incerto.
Foi nos anos setenta, eu era criança e, a julgar pela lentidão com que os votos eram contados, não devia haver em Portugal mais de dez sujeitos disponíveis para o exercício. Será a memória a falhar-me, mas sou capaz de jurar que, à época, nem a electricidade estava uniformemente distribuída: recordo com nitidez as “presidenciais” de 1976, e um quadro com os rostos dos candidatos em cartão, que os jornalistas da RTP empurravam consoante os resultados que chegavam.
Não me interessava quem ganhava ou quem perdia, interessavam-me as percentagens, a distribuição por distritos, o número de mandatos atribuídos. Eu gostava da própria competição e, bastante indiferente aos concorrentes, continuo a gostar até hoje.
E para quê? Hoje, mal fecham as urnas, as televisões disparam com previsões desgraçadamente acertadas. Ainda que falhem, num ápice 90% das freguesias encontram-se “apuradas” sei lá por que maligno método, arruinando às nove horas um serão que podia ser interminável e encantador.
A política é um espectáculo? Dantes é que era.
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