Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
8
16 de Dezembro de 2003 às 00:18
Chegou gordo depois de umas férias com sabor a reforma antecipada. Tinha assinado por um grande clube português, a carreira chegara ao topo, 28 anos feitos, podia descansar na sua bela quinta em Campinas. Chegou gordo, desenquadrado duma equipa que privilegiava circulação rápida de bola em tabela. Era o desespero de João Pinto e Cristiano Ronaldo. Falamos de Silva, esse pistoleiro manhoso que atinge agora, pelo Natal, a forma mínima para poder justificar o investimento do Sporting. Pelo meio, sofreu uma lesão – quem não procura a sorte sempre encontra azar. Mas Silva, o pistoleiro manhoso, tem muito para dar a este Sporting, agora que se reencontrou com os seus 85 quilos, para 1,79 metros.
É a única peça de choque na frente de ataque. Com um volante e evoluído Liedson, Silva dá luta, provoca ressaltos e procura a excelência do seu jogo de cabeça. Frente ao seu anterior clube, Silva provou finalmente toda a complementaridade que pode conseguir com os seus ágeis companheiros de ataque. E recebeu os primeiros aplausos consistentes da nação sportinguista.
Para que Silva, o pistoleiro manhoso, possa render ainda mais, o Sporting terá de ter nas alas do seu 4-4-2 capacidade de cruzamento. Mas este Sporting encontrou a segurança defensiva acantonando-se no meio. Os melhores flanqueadores são defesas-laterais. Facilmente manietáveis pela táctica contrária. E, assim, Silva vai continuar à míngua, a correr quilómetros sem muitas oportunidades para aplicar o seu golpe mais letal.
A correr tanto e com pouco jogo não engorda, valha isso.
Ver comentários