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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Agosto de 2011 às 00:30

Diante deste panorama, há quem tenha rapidamente começado a indignar-se contra o referido portal, acusado de apenas incentivar a coscuvilhice e não esclarecer coisa nenhuma. Se quisermos resumir a posição da tribo que desnomeava imediatamente a medida, podemos utilizar uma daquelas frases engenhosas que Rodrigo Moita de Deus costuma proferir no blogue 31 da Armada: "O site das nomeações é a maior invenção do mundo depois do peep show." A frase é uma boa frase, mas omite um pequeno detalhe: é que os donos deste peep show somos nós. E esta é a questão essencial. Da mesma forma que não passa pela cabeça de ninguém impedir um accionista de uma empresa de saber quanto ganham os seus funcionários, também qualquer contribuinte português deve ter o direito de conhecer os salários dos trabalhadores da função pública ou das empresas em que o Estado é o principal accionista. Não se trata sequer de uma questão de transparência. Trata-se de um óbvio direito democrático. Claro que se pode discutir se o portal está bem ou mal feito (eu acho que está mal feito, porque mistura tudo, da escolha dos assessores às simples renomeações de funcionários que já fazem parte da mobília), mas a justiça da divulgação, essa, não tem discussão possível.

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