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Correio da Manhã

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Maria de Belém Roseira

Sinais e certezas

Esta variação do PIB menos negativa face a 2012 (...) é, sem dúvida, um sinal positivo. Mas apenas um sinal.

Maria de Belém Roseira 17 de Agosto de 2013 às 01:00

O INE publicou esta semana dados relativos ao PIB de cuja nota transcrevo: "O PIB registou em termos homólogos uma diminuição de 2% em volume no segundo trimestre de 2013, face à variação de -4,1% observada no primeiro trimestre…

Comparativamente com o trimestre anterior, o PIB aumentou 1,1% em volume. A diminuição menos intensa do PIB em termos homólogos no 2º trimestre traduziu sobretudo a redução menos acentuada do Investimento… e a aceleração expressiva das Exportações de Bens e Serviços, em parte associada ao efeito de calendário relativo ao período da Páscoa (…)."

Esta variação do PIB menos negativa, face a 2012, que no 1º trimestre do ano é, sem dúvida, um sinal positivo. Mas apenas um sinal. Por isso, houve, e bem, tanta cautela nos comentários atinentes e tanta preocupação por trás dessa cautela.

Considero que houve fundamentalmente quatro fatores que contribuíram para este pequeno alívio: o primeiro, o crescimento no mesmo período registado nos países europeus com cujas economias mais nos relacionamos; o segundo, o aumento do turismo e a criação relacionada de algum emprego, que proporcionaram um acréscimo do consumo interno; o terceiro, o impacto, também no consumo interno, proporcionado pelo pagamento do subsídio de férias, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional; o quarto, porventura o mais importante, o facto de se ter atrasado a oitava avaliação da Troika e o Governo ainda não ter tomado as medidas de enormes cortes na despesa pública com os quais se comprometeu durante a quinta avaliação.

Daqui retiro uma certeza: é que, se avançarem esses cortes na dimensão e no calendário previstos, o ténue alívio que a nossa economia conheceu no 2º trimestre e que lhe permitiu respirar um pouco rapidamente inverterá caminho novamente no sentido negativo.

Portanto, em época de elaboração de Orçamento, mais importante do que atermo-nos no que melhorou é percebermos porque é que isso aconteceu e, sem perder de vista o rigor na execução orçamental, negociarmos com os credores e os nossos parceiros europeus condições de ajustamento exequíveis e sensatas.

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